Nunes Marques alerta STF sobre decisões individuais em temas eleitorais

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a interferência de decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em matérias da Justiça Eleitoral pode comprometer a atuação das duas Cortes e aumentar a insegurança jurídica durante as eleições. A manifestação foi encaminhada na segunda-feira (28) ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin.
No ofício, Nunes Marques formalizou o pedido para que o STF adote um mecanismo de análise prévia de ações relacionadas ao processo eleitoral antes que elas sejam distribuídas individualmente aos ministros. A proposta também alcançaria pedidos urgentes apresentados em processos que já tramitam no Supremo.
Segundo o presidente do TSE, a medida poderia evitar que decisões monocráticas do STF interfiram em questões sob competência da Justiça Eleitoral. Ele classificou esse tipo de situação como um risco de “captura institucional” e afirmou que a subordinação do TSE a decisões individuais pode “esvaziar tanto a especialização constitucionalmente delineada quanto a colegialidade que confere legitimidade às decisões de ambos os tribunais”.
Decisão de Flávio Dino motivou pedido
O posicionamento ocorreu após uma decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que derrubou uma determinação do ministro André Mendonça, do TSE. A decisão de Mendonça havia determinado a remoção de publicações que difundiam a informação falsa de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, caso fosse eleito.
Ao recorrer ao STF, a defesa questionou a decisão tomada no âmbito da Justiça Eleitoral. Dino, então, suspendeu a determinação de Mendonça.
O episódio expôs uma discussão sobre os limites da atuação do STF em decisões tomadas pelo TSE, especialmente durante o período eleitoral, quando decisões judiciais podem ter impacto direto sobre candidatos, campanhas e a circulação de conteúdo nas redes sociais.
Leia mais
Dino derruba decisão do TSE e libera post de ator sobre Nossa Senhora
Flávio pede suspensão da decisão que liberou post sobre Nossa Senhora
Pedido de análise antes da distribuição
Nunes Marques defende que pedidos urgentes relacionados às eleições sejam submetidos inicialmente à Presidência do STF, com avaliação prévia antes da distribuição a um ministro, inclusive nos casos em que o pedido seja apresentado dentro de uma ação já em andamento no Supremo.
Na avaliação apresentada no ofício, decisões individuais com potencial para alterar determinações da Justiça Eleitoral podem gerar instabilidade e incentivar partes a buscar diretamente a instância considerada mais favorável.
O ministro também argumentou que a previsibilidade das regras eleitorais pode ser prejudicada quando decisões de diferentes instâncias produzem entendimentos divergentes sobre um mesmo tema. Para ele, o cenário pode afetar a isonomia entre candidatos e enfraquecer a atuação das instituições responsáveis pela condução e fiscalização das eleições.
A proposta está sob análise da Presidência do STF. O debate envolve a relação entre as competências constitucionais do TSE e do Supremo e ganha relevância durante o processo eleitoral, quando decisões judiciais sobre propaganda, conteúdo digital e direitos de candidatos precisam ser tomadas em prazos reduzidos.





