Lula ironiza Milei e evita crise diplomática: “Quem é esse cara?”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por evitar uma escalada da crise diplomática com o presidente da Argentina, Javier Milei, após uma sequência de ataques feitos pelo líder argentino durante visita ao Brasil e reiterados nas redes sociais. Em vez de responder às provocações no mesmo tom, Lula adotou uma postura de contenção e reagiu com ironia ao ser questionado sobre Milei, “Quem é esse cara?”, disse nesta segunda-feira (28), no Palácio do Itamaraty.
A declaração ocorreu enquanto Lula aguardava a chegada do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, para uma agenda oficial. A resposta, curta e informal, foi interpretada no governo como sinal de que o presidente brasileiro não pretende transformar o episódio em um embate pessoal.
Governo orienta contenção diante das provocações
Nos bastidores, a orientação do Palácio do Planalto é evitar novas trocas de farpas com o governo argentino, mesmo diante das declarações consideradas graves de Milei. Integrantes do governo foram orientados a não ampliar a tensão, preservando os canais institucionais entre os dois países e evitando que a crise política afete a relação econômica e diplomática.
A mudança de postura ocorre depois que ministros do governo reagiram publicamente às declarações do presidente argentino. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou Milei como um “palhaço” e afirmou que o líder argentino prefere o conflito à cooperação entre os países. Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chamou Milei de “caricatura patética” e “puxa-saco de Trump”.
Apesar das críticas iniciais, o Planalto decidiu centralizar qualquer resposta oficial no Ministério das Relações Exteriores. A avaliação do governo é que o episódio deve ser tratado pela via diplomática, sem alimentar uma disputa pública entre os dois chefes de Estado.
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Itamaraty convoca embaixador argentino
No domingo (27), o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar formalmente o descontentamento com as declarações de Milei. Na reunião, o chanceler Mauro Vieira classificou como inédito o fato de um presidente estrangeiro utilizar uma visita ao Brasil para atacar o presidente da República, o Supremo Tribunal Federal (STF) e as instituições democráticas brasileiras.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que não há precedentes, em mais de dois séculos de relações entre Brasil e Argentina, para um episódio dessa natureza, e destacou que os ataques comprometem o ambiente de cooperação entre os dois principais parceiros do Mercosul.
Além da convocação do embaixador argentino, Mauro Vieira determinou o retorno a Brasília do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas. A medida é considerada um gesto diplomático de forte insatisfação e costuma ser adotada em momentos de desgaste nas relações entre países.
Milei intensifica ataques nas redes
Enquanto o governo brasileiro tenta conter a crise, Milei voltou a intensificar os ataques nesta segunda-feira. O presidente argentino compartilhou publicações de apoiadores com críticas a Lula, acusando o governo brasileiro de interferir na política argentina e de promover uma suposta “campanha anti-argentina”. Em entrevista à Rádio Mitre, ele também repetiu ofensas ao presidente brasileiro.
Mesmo diante das novas provocações, a estratégia do Planalto permanece a mesma, evitar uma guerra de declarações e concentrar a resposta na diplomacia. A avaliação do governo é que preservar a relação institucional com a Argentina é essencial, sobretudo pelo peso econômico e comercial do país vizinho para o Brasil e para o Mercosul.





