Entenda como funcionava o esquema de roubo de ouro em Manaus

A Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público do Amazonas (MPAM), deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Piloto de Fuga, novo desdobramento das investigações sobre o roubo da maior carga de ouro já registrada no estado, ocorrido em outubro de 2025.
Na ação, foi cumprido um mandado de prisão preventiva contra um investigador da Polícia Civil, além de quatro mandados de busca e apreensão em Manaus.
As diligências ocorreram no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e em residências localizadas em três condomínios de luxo. A operação é um desdobramento das investigações iniciadas após a apreensão de 72,6 kg de ouro, avaliados em cerca de R$ 50 milhões, a maior já registrada no Amazonas.
Esquema envolvia agentes de segurança pública
Segundo o delegado da PF Jonathan Simas, a organização criminosa contava com agentes de segurança pública estaduais. “Hoje a gente conseguiu identificar o piloto da viatura que serviu de transporte no dia do roubo”, afirmou. Ele explicou que um núcleo criminoso formado por agentes públicos visava roubar o carregamento de ouro, enquanto outro núcleo, composto por civis, fazia o transporte do minério do Pará para o Amazonas, com destino final a Roraima, para possível internacionalização do ouro.
Conforme o promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, as medidas cautelares visam aprofundar a apuração. “Estamos procurando colher elementos para apuração completa dos fatos, para alcançar eventuais outros participantes e também mais elementos sobre a dinâmica do crime”, afirmou.
Apreensões
A PF divulgou imagens do cumprimento de mandados em uma das residências alvo da operação, onde foram apreendidas duas pistolas, cartuchos de munição e uma balaclava (máscara que oculta o rosto). Os suspeitos poderão responder por roubo, associação criminosa, usurpação de bens da União e fraude processual.
O delegado do 1º DIP, Cícero Túlio, divulgou nota em defesa do investigador preso, afirmando que o servidor já havia apresentado registros técnicos e imagens que demonstrariam que, no momento dos fatos, estava em sua residência com o filho. O delegado também publicou vídeos que, segundo ele, comprovam que o policial utilizava outro veículo no horário apontado pela investigação. Ele pediu cautela na divulgação das informações e disse acreditar que os elementos apresentados comprovam a inocência do investigador.
PC colabora com investigações
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou, por meio de nota, que tomou conhecimento da busca no 1º DIP e que não compactua com qualquer tipo de irregularidade. A corporação afirmou colaborar integralmente com as investigações e que o caso será encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública para a abertura de procedimento administrativo.
O caso segue sob apuração da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Os elementos reunidos pela acusação e pela defesa serão analisados pela Justiça Federal.





