Desemprego cai para 5,4% no Brasil, mas informalidade avança

O mercado de trabalho brasileiro registrou nova melhora no segundo trimestre de 2026, com a taxa de desocupação caindo para 5,4% no trimestre móvel de abril a junho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (30). O resultado representa uma redução de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre de janeiro a março, quando o desemprego estava em 6,1%.
O índice também ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando a taxa de desocupação era de 5,8%. O número de pessoas desempregadas caiu de 6,6 milhões para aproximadamente 5,9 milhões entre os dois primeiros trimestres de 2026, uma redução de 718 mil pessoas, equivalente a 10,9%. Na comparação anual, são 392 mil pessoas desocupadas a menos.
Apesar do resultado positivo, os dados mostram que o crescimento da ocupação não ocorreu apenas pela ampliação dos postos formais. Enquanto o número de trabalhadores com carteira assinada permaneceu estável, o contingente de empregados do setor privado sem carteira aumentou no trimestre.
Trabalho sem carteira cresce
O Brasil chegou a 103,1 milhões de pessoas ocupadas entre abril e junho, crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior, com a entrada de aproximadamente 1,08 milhão de pessoas na população ocupada. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de 742 mil trabalhadores, alta de 0,7%.
O avanço, entretanto, foi acompanhado por uma alta no número de empregados sem carteira assinada. O grupo chegou a 13,6 milhões de pessoas, crescimento de 2,2% em relação ao trimestre anterior. Na prática, foram 288 mil trabalhadores a mais nessa condição.
Já o contingente de empregados do setor privado com carteira assinada ficou em 39,4 milhões e apresentou estabilidade tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período de 2025.
Outras categorias também tiveram comportamentos distintos. O número de trabalhadores por conta própria, estimado em 26,1 milhões, ficou estável na comparação trimestral e anual. O emprego doméstico também permaneceu estável no trimestre, mas registrou redução de 290 mil pessoas em relação ao mesmo período de 2025. Já o setor público teve alta de 2,6% no trimestre, chegando a 13 milhões de trabalhadores.
Além disso, a taxa de subutilização da força de trabalho, que considera pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas e integrantes da força de trabalho potencial, caiu de 14,3% para 12,9%. O contingente de pessoas subutilizadas recuou para 14,7 milhões, 1,6 milhão a menos que no trimestre anterior.
O número de desalentados, pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por diferentes razões, também caiu. Foram estimados 2,3 milhões de desalentados entre abril e junho, redução de 395 mil pessoas, ou 14,7%, em relação ao trimestre anterior.
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Rendimento médio chega a R$ 3,7 mil
A melhora no mercado de trabalho também aparece nos rendimentos. O rendimento médio mensal real habitualmente recebido pelos trabalhadores chegou a R$ 3.738 no trimestre, mantendo estabilidade em relação aos três meses anteriores e crescimento de 2,8% na comparação com abril a junho de 2025.
A alta, porém, não foi uniforme entre as categorias. Na comparação trimestral, trabalhadores sem carteira tiveram redução de 4,6% no rendimento médio, o equivalente a R$ 125 a menos. Entre os empregados do setor público, a queda foi de 3,1%, ou R$ 178.
Na comparação anual, por outro lado, houve crescimento de 2,8% no rendimento dos trabalhadores com carteira assinada, de 4% entre trabalhadores domésticos e de 3,3% entre os que trabalham por conta própria.
Amazonas tem uma das maiores taxas de informalidade do país
O cenário nacional de redução do desemprego ocorre em um contexto diferente no Amazonas, onde a informalidade permanece entre as mais elevadas do país. O dado estadual mais recente da PNAD Contínua, referente ao primeiro trimestre de 2026, aponta que 53,2% da população ocupada no estado estava na informalidade.
O percentual coloca o Amazonas na terceira posição entre as unidades da Federação com maior taxa de informalidade, atrás apenas do Maranhão, com 57,6%, e do Pará, com 56,5%. A média nacional no mesmo período era de 37,3%.
O indicador considera empregados do setor privado sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem registro no CNPJ, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.
O Amazonas também estava entre os estados com maior proporção de trabalhadores por conta própria. No primeiro trimestre, 29,9% dos ocupados amazonenses estavam nessa condição, percentual superior à média nacional de 25,5%.






