Desde 1989, todo presidente eleito venceu também no Amazonas e em Minas

Nas eleições presidenciais de 2026, Minas Gerais e Amazonas confirmaram o papel de “termômetros” da política brasileira. Desde a volta do voto direto, em 1989, nenhum presidente foi eleito sem vencer simultaneamente nesses dois estados, sequência mantida com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no domingo (25).
Os dois estados são conhecidos no meio político como “estados-pêndulo” por não apresentarem hegemonia partidária fixa e acompanharem as oscilações da preferência nacional. Enquanto Lula venceu no país com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro, os placares estaduais seguiram a mesma tendência.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, a disputa foi equilibrada, como no resultado nacional. Lula venceu com 50,43% dos votos válidos (6.351.099 votos), e Flávio Bolsonaro registrou 49,57% (6.241.786).
Já no Amazonas, a vantagem do presidente reeleito foi um pouco maior. Lula obteve 54,02% (1.145.783 votos), contra 45,98% (975.245) do candidato do PL.
Retrospectiva histórica
O histórico das dez eleições presidenciais desde a redemocratização mostra o alinhamento dos dois estados com o vencedor nacional:
- 1989: Fernando Collor (PRN) venceu o segundo turno contra Lula, com 52,82% dos votos válidos em Minas Gerais e 52,69% no Amazonas.
- 1994: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito no primeiro turno, com 64,82% em Minas Gerais e 60,50% no Amazonas.
- 1998: FHC foi reeleito no primeiro turno, com 55,67% em Minas Gerais e 54,67% no Amazonas.
- 2002: Lula (PT) venceu José Serra (PSDB) no segundo turno, com 66,51% em Minas Gerais e 65,13% no Amazonas.
- 2006: Lula foi reeleito com 65,19% em Minas Gerais e 86,82% no Amazonas, contra Geraldo Alckmin.
- 2010: Dilma Rousseff (PT) superou José Serra, com 58,45% dos votos válidos em Minas Gerais e 80,57% no Amazonas.
- 2014: Dilma foi reeleita contra Aécio Neves, com 52,41% em Minas Gerais e 65,02% no Amazonas.
- 2018: Jair Bolsonaro (PSL) venceu Fernando Haddad no segundo turno, com 58,19% em Minas Gerais e 50,27% no Amazonas.
- 2022: Lula venceu Jair Bolsonaro, com 50,20% em Minas Gerais e 51,10% no Amazonas.
- 2026: Lula foi reeleito, com 50,43% em Minas Gerais e 54,02% no Amazonas.
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Reflexo Brasil
Analistas políticos destacam que Minas Gerais funciona como um microcosmo demográfico e socioeconômico do país. O sul e o oeste do estado apresentam dinamismo agrícola e industrial semelhante ao do Centro-Sul, enquanto o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha têm realidades socioeconômicas próximas às do Nordeste.
O Amazonas, por sua vez, sintetiza as forças políticas da região Norte, onde o peso da capital contrapõe o comportamento eleitoral dos municípios do interior, fortemente impactados por políticas sociais e de desenvolvimento regional.
Com mais uma disputa encerrada, a estatística permanece inalterada: desde 1989, quem chegou ao Palácio do Planalto venceu em Minas Gerais e no Amazonas.





