TCE livra Mayra Dias, mas embate com Brena Dianná persiste

A decisão unânime do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) de considerar improcedente a denúncia contra a deputada estadual Mayra Dias (PSD) encerrou o processo na esfera técnica. Mas às vésperas das eleições que podem (ou não) renovar as cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), o caso ganhou uma dimensão maior do que a jurídica e passou a ser interpretado como mais um capítulo da disputa entre os dois dos principais nomes políticos de Parintins na atualidade: Mayra Dias e Brena Dianná.
Inclusive a representação arquivada pelo TCE foi apresentada pela deputada estadual Brena Dianná (União Brasil), que apontava supostas irregularidades na realização de ações sociais nos municípios de Maués e Boa Vista do Ramos. Segundo a denúncia, médicos, servidores e recursos públicos teriam sido utilizados de forma irregular em eventos que poderiam ter finalidade político-eleitoral.
Ao analisar o processo, o TCE-AM concluiu que não encontrou provas das acusações. O acórdão destaca a inexistência de dano ao erário e a ausência de desvio de finalidade, arquivando a denúncia.
Diante disso, começa a ganhar espaço uma leitura sobre o episódio. Parintins é um dos maiores colégios eleitorais do interior do Amazonas, e tanto Mayra quanto Brena construíram forte capital político no município. A pergunta que surge é inevitável, o embate judicial seria também um reflexo da disputa por um eleitorado onde ambas são protagonistas? Não há elementos que permitam afirmar essa motivação, mas o contexto político alimenta esse tipo de interpretação.
Mayra sai fortalecida, Brena mantém questionamentos
A decisão do TCE fortalece politicamente Mayra Dias, que sustenta sua atuação no projeto “Ação em Dias”, iniciativa desenvolvida desde 2023 e que, segundo a parlamentar, já realizou mais de 110 mil atendimentos gratuitos nas áreas de saúde, assistência social e cidadania em municípios do interior.
Brena Dianná, por sua vez, afirmou que o arquivamento não responde ao ponto central levantado por sua representação. Segundo ela, a denúncia surgiu a partir de reclamações de moradores e vereadores de Parintins sobre a suposta ausência de médicos vinculados à rede municipal enquanto participavam das ações em outras cidades. Na avaliação da parlamentar, permanece a discussão sobre eventual impacto desse deslocamento no atendimento à população parintinense.
O embate ganhou novos contornos após declarações do ex-prefeito de Parintins, Bi Garcia, marido de Mayra Dias. Em discurso, ele exaltou o trabalho da deputada, destacou as ações sociais desenvolvidas no estado e fez críticas diretas aos adversários políticos, elevando o tom da disputa. Ele não citou o nome de Brena, mas o alvo das declarações era ela.
Trajetórias distintas na Assembleia
A diferença é que as duas parlamentares chegam a esse confronto em momentos distintos da trajetória legislativa. Mayra Dias está em seu primeiro mandato desde 2023, preside a Comissão de Assistência Social e Trabalho da Aleam e acumula dezenas de leis aprovadas, além de projetos voltados às áreas de assistência social, saúde, inclusão, defesa das mulheres e pessoas com deficiência.
Já Brena Dianná assumiu a cadeira de deputada estadual em junho de 2026, após a reorganização da composição da Casa. Por estar há poucas semanas no mandato, sua atuação parlamentar ainda está em fase inicial, concentrando-se principalmente na transição para o Legislativo estadual. Antes disso, sua principal experiência política foi como vereadora e presidente da Câmara Municipal de Parintins.
Ou seja, os dois principais nomes políticos de Parintins na Assembleia Legislativa do Estado estão em rota de conflito político. E, em um cenário de pré-campanha, onde imagem, presença no interior e capacidade de mobilização pesam cada vez mais, fica a reflexão, o episódio representa apenas um embate sobre fiscalização de ações públicas, ou é um dos primeiros sinais da disputa que deve marcar a corrida pelo eleitorado da Ilha Tupinambarana nos próximos meses?





