RENATO JUNIOR X ROBERTO CIDADE: Agenda de Lula expõe distanciamento além do protocolo

O governador Roberto Cidade recepcionou o presidente da República, participou do momento oficial de chegada e marcou presença no ato institucional. Mas não acompanhou a primeira agenda do dia: a entrega do Minha Casa Minha Vida, vinculada à Prefeitura de Manaus e conduzida pelo grupo político do prefeito Renato Junior.
A ausência ganhou leitura nos bastidores porque ocorre poucos dias após a troca pública de declarações entre os dois.
Renato Júnior havia pedido apoio do Governo do Estado para ações de infraestrutura em Manaus, defendendo uma atuação conjunta e afirmando esperar maior atenção do Estado à capital. Roberto Cidade respondeu dizendo que a fala tinha caráter político e que não caberia ao Governo assumir responsabilidades da Prefeitura. Também afirmou que “cada um precisa responder pela sua gestão”.
Nos bastidores, a leitura é que Cidade começa a delimitar com mais clareza sua posição em relação ao grupo político da Prefeitura.
Isso porque o cenário hoje é formado por dois campos distintos.
De um lado, Renato Júnior representa a continuidade do grupo de David Almeida, que comandava a Prefeitura antes da renúncia.
Do outro, Roberto Cidade chega ao Governo pela sucessão de Wilson Lima e carrega uma base política diferente.
A ausência na agenda da Prefeitura não representa rompimento institucional. Mas, politicamente, pode ser interpretada como uma sinalização.
Cidade participou da agenda presidencial. Apenas não participou da agenda municipal.
E, na política, presença e ausência também constroem narrativa.
A leitura que começa a surgir é que o governador pretende manter a relação institucional com a Prefeitura, mas sem transmitir alinhamento automático com o grupo político que hoje ocupa o Executivo municipal.
O gesto foi discreto.
Mas o recado pode ter sido calculado.





