Likes ou votos? O equilíbrio necessário entre as redes sociais e o corpo a corpo

“É muito melhor eu falar para minha rede social, que tem milhões de pessoas me assistindo, do que falar aqui (plenário). Das denúncias que faço, nada é feito. Me sinto como se estivesse falando com a parede.”
O posicionamento acima é de um político amazonense em mandato. Ele revela uma verdade cada vez mais evidente: as redes sociais se tornaram o principal espaço de fala dos políticos. O púlpito do parlamento, antes disputado por quem queria apresentar denúncias, críticas e reivindicações, perdeu espaço para as tribunas digitais.
Se, dentro das casas legislativas, muitos parlamentares, especialmente os de oposição, sentem que estão “falando com a parede”, nas redes sociais ocorre o contrário. No ambiente digital, suas falas reverberam, alcançam milhares de pessoas e ultrapassam os limites do mundo virtual.
Em ano eleitoral, esse alcance ganha ainda mais importância. Os pré-candidatos querem ser ouvidos, e as redes sociais são o meio mais rápido e eficiente para isso. Mas a política não se sustenta apenas no digital. Segundo nomes influentes do marketing eleitoral brasileiro, como João Santana, Fabrício Moser e Marcelo Vitorino, as redes são uma ferramenta poderosa, mas não substituem o contato direto com o eleitor.
As chamadas “velhas raposas” da política continuam apostando em estratégias tradicionais: caminham em feiras, pegam crianças no colo, tomam café na casa da dona Maria e, depois, amplificam esses momentos nas redes sociais. Assim, uma ação presencial que alcançou cem pessoas pode chegar a milhares no ambiente digital.
É exatamente o que fazem alguns dos principais pré-candidatos ao Governo do Amazonas. Maria do Carmo Seffair, Omar Aziz, David Almeida e Roberto Cidade intensificaram a presença junto à população enquanto utilizam as redes para potencializar seus discursos. Em um cenário ainda indefinido, a diferença entre visibilidade digital e presença real pode ser decisiva.
Por isso, abandonar o contato físico com o eleitor e confiar apenas nas métricas de vaidade, como likes e visualizações, pode ser um dos erros mais graves de uma campanha. A política continua sendo uma atividade baseada em relacionamento, credibilidade e presença. E isso se constrói no tête-à-tête, não apenas pela tela do celular.
Inclusive, o político citado na abertura da análise sabe disso. Tanto que, além de manter forte presença nas redes sociais, continua ocupando as ruas e buscando o contato direto com os eleitores.





