Bastidores da vaga do Quinto Constitucional no TJAM

A escolha do novo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), na vaga destinada aos advogados pelo Quinto Constitucional, entrou na fase final com “sujeitos ocultos” agindo nos bastidores para influenciar a decisão que caberá ao governador Roberto Cidade (União Brasil), a partir da lista tríplice formada nesta terça-feira (11) pelos 24 desembargadores da Corte.
A definição dos três nomes enviados pelo TJAM ao governador já foi motivo de insatisfação. Os mais votados pelos desembargadores não foram os mais votados na lista sêxtupla escolhida pelos próprios advogados filiados à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Amazonas.
Os desembargadores escolheram os advogados Grace Anny Benayon Zamperlini (21 votos), Marco Aurélio de Lima Choy (20 votos) e Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho (18 votos). Um dos três terá o nome submetido à análise de Roberto Cidade e se tornará o novo desembargador da mais alta corte da Justiça do Amazonas.
Suspeita de interferência já na formação da lista
Com o tabuleiro ocupado pelos três escolhidos pelo TJAM, entram em cena os tais sujeitos ocultos. O primeiro deles, inclusive, já teria agido, conforme reclamou o desembargador e ex-presidente da Corte, Flávio Pascarelli. Segundo o magistrado, essa pessoa já teria atuado por três vezes, “um recorde”, para tirar da lista tríplice a advogada mais votada na OAB, sua ex-esposa, a advogada Giselle Falcone.
Antes da sessão de votação, Pascarelli já havia deixado clara essa suspeita de interferência externa na composição da lista. Ele não participou da escolha devido a impedimento pela relação com Falcone. No fim, ela, que foi a mais votada na consulta da OAB-AM, terminou em último lugar na votação dos desembargadores, com apenas três votos.
Nomes de peso influenciam a decisão final
Com os três nomes definidos, outros sujeitos ocultos devem entrar em ação para influenciar a escolha de Roberto Cidade. Alguns deles nem estariam tão ocultos assim. Nomes como o do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e do ex-governador Wilson Lima estariam sendo citados como de forte influência sobre a decisão final do novo desembargador do TJAM.
Lima, que ainda mantém forte influência sobre o governador Cidade, poderia sugerir que o escolhido tivesse o aval do ministro Campbell que, além de ser amazonense, assume no final de agosto a vice-presidência do STJ, a segunda Corte mais importante do Judiciário brasileiro.
Mas isso são conjecturas sobre informações que circulam nos bastidores. De concreto, cada um dos três escolhidos chega ao aval do governador Roberto Cidade apenas com seu histórico profissional e suas relações políticas.
O que pesa, ou não, sobre os escolhidos do TJAM
A advogada Grace Anny Benayon Zamperlini tem a vantagem de ter recebido 21 dos 24 votos dos desembargadores do Tribunal. Além disso, mantém articulações políticas desde os anos 1990, quando trabalhou na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e construiu uma rede de relacionamentos profissionais com políticos.
Já Marco Aurélio de Lima Choy tem um ativo que joga contra ele. O ex-presidente da OAB Amazonas atuou em campanhas políticas do senador Eduardo Braga (MDB) e, nos últimos anos, se aproximou do prefeito David Almeida (Avante), do qual é procurador do Município. Suas ligações com dois políticos que estão em campos opostos ao do governador Roberto Cidade podem ser um complicador para sua escolha.
O advogado Carlos Alberto tem um componente político valioso: é amigo do vice-governador Serafim Corrêa (PSB) que, há oito anos, em outra lista sêxtupla da OAB, pediu apoio à escolha do nome de Carlos, que acabou perdendo a vaga para o desembargador Délcio Luís Santos.





