Governo promete anunciar fila do INSS zerada nesta semana

O governo federal deverá anunciar nesta semana o fim da fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi confirmada nesta segunda-feira (31/8) pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, segundo quem a quantidade de pedidos pendentes caiu 86% desde janeiro, resultado atribuído à contratação de novos peritos, à ampliação das perícias por telemedicina e à realização de mutirões aos finais de semana.
O anúncio ocorre em um momento de forte pressão sobre o governo em razão das fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A redução da fila passa, assim, a ocupar espaço importante na agenda do Palácio do Planalto, especialmente entre aposentados e pensionistas, grupo considerado relevante para a disputa eleitoral de 2026.
Segundo o ministério, foram nomeados 500 médicos peritos federais para reforçar a estrutura de atendimento, além da ampliação da perícia médica por telemedicina e de atendimentos extraordinários nos finais de semana.
Wolney destacou que a demanda pelo sistema previdenciário aumentou significativamente nos últimos anos. Os pedidos de benefícios praticamente dobraram, com uma média atual de 1,3 milhão de requerimentos por mês. Os números oficiais citados pelo ministro mostram que a quantidade de benefícios concedidos passou de 5,2 milhões, em 2022, para 7,6 milhões, em 2025, alta de cerca de 46%. O tempo médio de espera, segundo os mesmos dados, caiu de 108 dias, em 2021, para 35 dias em 2026.
“É por causa de todo esse esforço que, nesta semana, vamos anunciar oficialmente que zeramos a fila do INSS”, informou Wolney à CNN Brasil.
Anúncio já havia sido antecipado
A informação de que o governo anunciaria a fila zerada não surgiu agora. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia adiantado o tema na semana passada, durante entrevista ao Jornal Nacional.
Na ocasião, o jornalista César Tralli questionou o presidente sobre a fila do INSS e lembrou que, no início do terceiro mandato, o governo havia prometido reduzir a espera, então estimada em aproximadamente 1,3 milhão de pessoas. Lula respondeu que o tema seria retomado na semana seguinte, para anunciar a conclusão do processo, e comparou a situação atual com o início do mandato, quando havia cerca de 3 milhões de pessoas aguardando atendimento ou análise de benefícios.
“Você está convidado antecipadamente para ir a Brasília assistir ao ato em que a gente vai comemorar com os aposentados. Semana que vem”, disse Lula ao jornalista.
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Previdência é tema sensível para o governo
A redução da fila ocorre paralelamente às investigações sobre descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. O episódio, que envolve suspeitas de irregularidades investigadas pelos órgãos de controle e pela Polícia Federal, provocou desgaste político e colocou a Previdência no centro do debate público.
Nesse cenário, o governo busca apresentar a redução da fila como resposta a um problema histórico de atendimento e como demonstração de melhoria no serviço público. A questão também ganhou dimensão eleitoral, já que o governo tem buscado fortalecer a relação com o eleitorado com 60 anos ou mais, segmento de peso significativo nas eleições de 2026. A recuperação da confiança desse público, em meio às críticas sobre a gestão do INSS e as fraudes nos descontos, tornou-se um dos desafios do governo na preparação para o pleito.
O que significa “fila zerada”
O anúncio não significa necessariamente que nenhum segurado terá de esperar pelo INSS. A própria explicação do governo, apresentada por Lula durante a entrevista, indica que se considera normal a existência de uma quantidade residual de processos dentro do prazo tido como adequado para análise, casos em que a espera pode chegar a até 45 dias, hoje cerca de 250 mil pessoas nessa condição.
Por isso, o anúncio previsto para esta semana deve ser interpretado dentro do conceito usado pelo governo para “fila zerada”: a redução do estoque de pedidos que ultrapassam o prazo considerado regular de análise. Com a expectativa de conclusão dessa etapa, o governo pretende mostrar uma mudança em relação ao início do atual mandato, quando, segundo os dados oficiais, milhões de brasileiros aguardavam resposta da Previdência.
Para os segurados, o principal impacto esperado é a redução do tempo para obter resposta sobre aposentadoria, auxílio por incapacidade e outros benefícios. Para o governo, o desafio será manter o ritmo de análise diante do volume elevado de novos requerimentos que chegam mensalmente ao INSS.





