Greve dos Correios chega ao fim; trabalhadores terão reajuste de 4,09%

A greve dos Correios chega ao fim nesta sexta-feira (25/9) após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), tomada ontem (24), determinando o retorno da categoria às atividades. O movimento havia começado em 10 de setembro, após o fracasso das negociações da campanha salarial.
O TST considerou a paralisação não abusiva e autorizou a compensação dos dias parados. Com isso, os trabalhadores não terão desconto salarial pelo período de greve, mas deverão repor as horas não trabalhadas. Durante o movimento, o tribunal já havia determinado a manutenção de 80% do efetivo nas operações da empresa.
Entre as principais reivindicações da categoria estavam a recomposição salarial, a manutenção dos benefícios e a preservação das regras do plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes. Esse benefício se tornou o principal ponto de divergência entre os trabalhadores e a direção dos Correios.
A categoria defendia a manutenção do modelo atual, no qual os Correios atuam como mantenedores do plano. Já a empresa buscava migrar para o modelo de patrocinadora, no qual deixaria de assumir sozinha os riscos financeiros do benefício, mudança que integra o processo de reestruturação financeira da estatal.
Reajuste e mudança no plano de saúde
O tribunal determinou reajuste salarial de 4,09%, retroativo a 1º de agosto, data-base da categoria. O mesmo percentual será aplicado aos benefícios vinculados ao salário, como vale-refeição e bolsa-creche.
A decisão também alterou o plano de saúde. Os Correios deixam de ser mantenedores do benefício e passam à condição de patrocinadores. As regras atuais, porém, permanecem válidas até a implantação do novo modelo, que muda a forma de participação da empresa no custeio e transfere parte dos riscos financeiros para o sistema de assistência à saúde dos empregados.
Assim, o TST atendeu parte das reivindicações econômicas dos trabalhadores, mas determinou mudança justamente no ponto que estava no centro da paralisação. O tribunal não acolheu todos os pedidos da representação sindical, entre eles as reivindicações sobre vale-cultura e adicional de complexidade.
Crise financeira nos Correios
A disputa trabalhista ocorre em meio a dificuldades financeiras dos Correios. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões, valor 24,4% menor que o prejuízo de R$ 3,16 bilhões do primeiro trimestre, mas que manteve o resultado acumulado do ano no campo negativo.
No fim de 2025, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União, usado para reforçar a liquidez, alongar o perfil do endividamento e regularizar compromissos de curto prazo. Os Correios ainda aguardam uma operação de crédito de R$ 7 bilhões junto a bancos privados, também com garantia da União.
O plano de reestruturação da estatal prevê revisão de despesas e contratos, reorganização da empresa, medidas para aumentar a eficiência operacional e busca por novas receitas. A companhia também abriu um novo Plano de Demissão Voluntária e prevê mudanças na estrutura de unidades.





