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Entenda como exposição de adolescentes a conteúdos explícitos tem crescido nas redes sociais

Dados revelados em um processo judicial envolvendo a Meta mostram a dimensão do problema
10/04/26 às 21:37h
Entenda como exposição de adolescentes a conteúdos explícitos tem crescido nas redes sociais

(Foto: Montagem/Rede Onda Digital)

O acesso cada vez mais precoce às redes sociais tem ampliado a exposição de adolescentes a conteúdos sensíveis, incluindo nudez, violência e discursos extremistas. Dados revelados em um processo judicial envolvendo a Meta mostram a dimensão do problema.

De acordo com as informações, quase 1 em cada 5 usuários do Instagram com idades entre 13 e 15 anos afirmou ter visto “nudez ou imagens sexuais” que não gostaria de ter acessado na plataforma. Além disso, cerca de 8% relataram ter se deparado com conteúdos envolvendo pessoas se machucando ou ameaçando fazê-lo.

O cenário levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de controle e moderação dessas plataformas, especialmente diante do funcionamento de algoritmos que ampliam o alcance de conteúdos de alto engajamento, independentemente da faixa etária. Os dados levaram o presidente-executivo da MetaMark Zuckerberg, a pedir desculpas às famílias de crianças afetadas por conteúdos de exploração sexual infantil disponibilizados nas redes sociais, em uma audiência do Senado dos Estados Unidos, no dia 31 de janeiro de 2024.

“Peço desculpas por tudo que vocês passaram. Ninguém deveria passar pelas coisas que suas famílias sofreram e é por isso que investimos tanto e continuaremos com esforços em toda a indústria para garantir que ninguém passe pelas coisas que suas famílias tiveram que sofrer”, disse Zuckerberg.

(Foto: Reprodução)

De acordo com a psicóloga Juciely Botelho, a exposição precoce a conteúdos explícitos pode interferir diretamente no desenvolvimento emocional e cognitivo dos adolescentes, que ainda estão em fase de maturação cerebral.

“Os adolescentes têm um período de desenvolvimento intenso ao cérebro. Nessa área são ligadas aos controles emocionais, como impulsividade, tomada de decisão, e muitas das vezes essa exposição precoce aos conteúdos explícitos pode antecipar uma experiência emocional para as quais os adolescentes ainda não estão preparados, criar uma confusão sobre relações afetivas e sexuais, estimular uma versão distorcida sobre a intimidade, respeito, e principalmente aumentar a ansiedade e curiosidade excessiva, ou até mesmo comportamentos impulsivos.”, disse.

Psicóloga Juciely Botelho fala sobre influência de conteúdos explicitos para adolescentes e jovens – (Foto: Divulgação)

A preocupação se amplia com a presença crescente de conteúdos relacionados a apostas online. Plataformas como Twitch e Kick têm sido utilizadas para a divulgação massiva de cassinos virtuais, muitas vezes com linguagem acessível ao público jovem. Além disso, há registros de influenciadores mirins sendo utilizados para promover jogos como o chamado “jogo do tigrinho”, o que levanta questionamentos sobre a publicidade direcionada a crianças e adolescentes no ambiente digital.

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Outro ponto de atenção é a disseminação de comunidades online associadas a discursos extremistas, como os movimentos Red Pill, MGTOW, incel e looksmaxxing. Looksmaxxing é o processo de maximizar a atratividade física de uma pessoa. Embora a prática como um todo possa se referir à higiene simples, métodos mais extremos como martelar o rosto para ganhar definição na mandíbula, técnicas de postura lingual (mewing), canetas emagracedoras, cirurgias plásticas e uso de anabolizantes para crescimento muscular vem sendo propagadas para adolescentes em platarformas de vídeos e lives. 

“Essa relação de imagem e autoestima, ela existe uma relação significativa. Tipo assim, o consumo frequente desse tipo de conteúdo pode gerar comparações irreais com o corpo, comportamento, ou desenvolvimento, uma sensação de inadequação, ‘não sou assim’ ou ‘não sou suficiente’, uma distorção da própria imagem, principalmente do corpo, e uma redução da autoestima, especialmente em adolescentes mais vulneráveis. Muitas das vezes esse impacto pode ser tanto nos meninos quanto nas meninas, embora de forma diferente.”, acrescentou a psicóloga.

Paralelamente, conteúdos adultos também circulam de forma indireta por meio de plataformas como OnlyFans e Privacy, alcançando públicos mais jovens por meio de cortes, repostagens e estratégias de divulgação.

(Foto: Reprodução/Biblioteca de Anúncios do Facebook)

Papel dos pais é essencial na orientação e prevenção

Segundo a psicóloga Juciely Botelho, os pais e responsáveis têm um papel essencial diante da exposição precoce a conteúdos explícitos, não apenas no controle, mas principalmente na educação e orientação dos adolescentes.

“Esse dever dos pais ou responsáveis, ele tem ali um papel essencial, não apenas de controlar, mas de educar e orientar. Algumas atitudes importantes a gente pode estar vendo aí, como diálogo aberto, sem julgamento, criar ali um ambiente onde os adolescentes se sintam seguros para falar, educação sexual adequada à idade, explicar sobre o corpo, limites, respeito e relações saudáveis.

Muitas das vezes eu acredito que a supervisão equilibrada dos pais venha ajudar nesse desenvolvimento, e principalmente acompanhar seus filhos na internet, sem invadir totalmente a privacidade. A gente precisa orientar o que é real e o que é fantasia, ajudar o adolescente a desenvolver pensamento crítico, dar exemplo de como os adultos lidam com relação e respeito, estabelecer limites claros, como regras sobre o uso do celular, horário e tipo de conteúdo.”

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