Rio Amazonas ajuda oceano a retirar CO₂ da atmosfera

O rio Amazonas ajuda o oceano a retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), que analisou dados coletados ao longo de quase 30 anos no Atlântico Tropical Oeste.
De acordo com a pesquisa, a grande quantidade de água doce levada pelo Amazonas até o oceano reduz em cerca de 9% a salinidade da região. Essa influência não fica restrita à área próxima à foz. Correntes marítimas transportam a chamada pluma do Amazonas para áreas que podem ficar a centenas de quilômetros do ponto onde o rio encontra o mar.
O efeito é ainda mais forte durante o período chuvoso na Amazônia, quando o volume de água que chega ao oceano aumenta. Nessa época, a redução da salinidade pode chegar a 11%.
Mais nutrientes, mais absorção de CO₂
A água levada pelo rio Amazonas também carrega nutrientes que favorecem o crescimento do fitoplâncton, formado por pequenos organismos que vivem no oceano.
Esses microrganismos realizam fotossíntese e retiram CO₂ da atmosfera. Por isso, quando a presença da pluma aumenta, o oceano também tende a ter maior capacidade de absorver o gás.
Durante o período seco, com menor volume de água doce chegando ao Atlântico, a influência da pluma diminui. Com isso, a quantidade de fitoplâncton também tende a ser menor e a absorção de CO₂ pode cair.
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Efeito vai muito além da foz
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram informações coletadas entre 1991 e 2019 por cientistas de diferentes países. Os dados vieram de expedições científicas e de equipamentos instalados em navios que circulam pelo Atlântico.
Além da salinidade, foram avaliados fatores como temperatura, concentração de CO₂, pH, alcalinidade e carbono dissolvido na água.
Segundo os pesquisadores, o estudo é importante porque quantifica os efeitos da pluma usando observações reais do oceano. Pesquisas anteriores já haviam utilizado modelos computacionais para estimar o impacto do rio Amazonas.
A pesquisa também indica que as mudanças na química da água podem ter consequências para a vida marinha. Alterações no pH, por exemplo, podem influenciar organismos que precisam dessas condições para formar conchas e esqueletos, como moluscos e corais.
Próximos passos da pesquisa
Os cientistas agora querem entender melhor como a influência do Amazonas se comporta em diferentes profundidades e ao longo do tempo. A equipe também pretende investigar como as mudanças no regime de chuvas da Amazônia podem alterar esse processo.
Segundo os pesquisadores, períodos de chuva mais intensa podem aumentar a influência da pluma no oceano, enquanto períodos secos com menos chuva podem reduzi-la. Isso pode modificar a quantidade de CO₂ absorvida pelo Atlântico e alterar outras características químicas da água.





