Impasse trava abertura de novas linhas de ônibus interestaduais no Amazonas

A paralisação da abertura do mercado de transporte rodoviário interestadual pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem impedido a criação de milhares de novas linhas de ônibus no Brasil e pode estar aprofundando os desafios de mobilidade em estados de grande extensão territorial, como o Amazonas.
Dados apresentados em maio durante um debate da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) mostram que 41.833 novas rotas de ônibus interestaduais deixaram de ser criadas entre 2023 e 2026 devido ao travamento da chamada “janela extraordinária”, mecanismo criado para ampliar a concorrência no setor, reduzir preços e aumentar a conectividade entre cidades.
No Amazonas, o cenário chama atenção. O estado possui apenas 51 rotas interestaduais atualmente em operação e registra somente 125 solicitações de novas linhas bloqueadas, números que refletem a limitada integração rodoviária da região em comparação com estados do Sul e Sudeste.
Segundo documentos enviados ao Congresso, a ANTT alegou que cortes orçamentários comprometeram a capacidade da agência de analisar os pedidos das empresas interessadas em operar novas linhas. A justificativa, porém, passou a ser questionada após a divulgação de documentos que indicariam que parte dos sistemas necessários para o processamento dos pedidos continuava funcionando.
O caso ganhou repercussão após parlamentares apontarem contradições entre os argumentos apresentados pela agência e documentos internos encaminhados ao Ministério dos Transportes. Também foi questionada a ausência de estudos técnicos ou análises de impacto regulatório que justificassem a paralisação do processo.
Para especialistas do setor, a demora afeta principalmente cidades do interior, que dependem do transporte rodoviário para ampliar o acesso a serviços, oportunidades econômicas e integração regional.
Enquanto o impasse permanece sem solução definitiva, milhares de municípios brasileiros seguem sem novas opções de transporte. No Amazonas, onde as dificuldades logísticas já fazem parte da realidade de muitas localidades, a falta de expansão das rotas reforça os desafios de mobilidade e conexão entre regiões.
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Impacto
A limitação das rotas interestaduais ganha peso ainda maior devido às características geográficas do estado. Com grande parte dos municípios dependente do transporte fluvial e aéreo, a integração rodoviária permanece restrita e concentrada em poucos corredores logísticos.
Nesse cenário, a BR-319 é considerada estratégica por conectar Manaus ao restante da malha rodoviária nacional por meio de Porto Velho (RO). Defensores da recuperação da rodovia argumentam que a ampliação das conexões terrestres poderia facilitar a criação de novas linhas interestaduais, reduzir o isolamento logístico da capital amazonense e ampliar as opções de deslocamento para passageiros e empresas de transporte.
Enquanto a abertura do mercado segue travada, o potencial de expansão da conectividade rodoviária do estado continua limitado.
Com informações do Poder360.





