Greve dos rodoviários chega ao terceiro dia em Manaus

A greve dos rodoviários de Manaus chegou ao terceiro dia nesta quarta-feira (22) sem previsão de término. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), cerca de 80% da frota de ônibus está em operação na cidade, conforme liminar judicial. A categoria, no entanto, afirma que a paralisação segue em vigor enquanto não houver avanço nas negociações sobre o pagamento dos salários atrasados.
A decisão da Justiça Federal determina que, durante os horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h, ao menos 80% da frota deve circular. Nos demais períodos, a circulação mínima exigida é de 50%. O descumprimento da ordem sujeita o sindicato dos trabalhadores a uma multa de R$ 120 mil por hora.
A paralisação iniciou na segunda-feira (20) pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano e Rodoviários de Manaus (STTRM), presidido por Givancir Oliveira. A categoria reivindica o pagamento de salários atrasados, horas extras não quitadas e a suspensão das demissões de cobradores.
Influência do Passe Livre na greve
O conflito trabalhista expôs uma disputa mais ampla sobre o financiamento do transporte coletivo na capital. O principal ponto de tensão é o Passe Livre Estudantil, benefício concedido a alunos da rede estadual. A origem do impasse remonta a um convênio firmado em 2022 entre a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para garantir a gratuidade do transporte aos estudantes.
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Segundo o prefeito Renato Junior (Avante), o governo estadual descumpriu o acordo. Em nota, o Executivo estadual afirma que mais de R$ 31,1 milhões foram repassados ao Sinetram em 2025 e que parte dos recursos permanece depositada judicialmente. Já o Sinetram contesta os valores e afirma que o passivo estadual chega a R$ 44,6 milhões referentes aos créditos disponibilizados entre 2025 e junho de 2026.
Governo anuncia depósito de R$ 18 milhões
Em coletiva na terça-feira (21), o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) anunciou um novo depósito de R$ 18 milhões ao Sinetram e afirmou que o Estado cumpre a decisão judicial. Segundo ele, o Sinetram utiliza um cálculo diferente e entende que deve receber um valor maior, mas o Governo do Estado não considera essa quantia devida.
O prefeito Renato Junior, por sua vez, afirmou que a Prefeitura não está devendo o Passe Livre dos alunos da rede municipal e que o município já repassou R$ 284 milhões ao sistema de transporte em 2026.
No entanto, uma petição do Sindicato das Empresas de Transporte, o Sinetram, protocolada na Justiça do Trabalho em 8 de julho (quase duas semanas antes da coletiva), mostra que o próprio município está inadimplente com o sistema.
O documento aponta débito de R$ 89,1 milhões referentes a 2026, sendo R$ 11,2 milhões de abril e R$ 23,7 milhões de maio, já vencidos, além de uma previsão de R$ 54,2 milhões para junho. Somado o débito remanescente de 2025, de mais de R$ 101 milhões, o passivo do município junto ao sistema chega a R$ 190,4 milhões. Em audiência anterior, o então presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) já havia reconhecido esse descompasso, ao admitir um custo mensal do sistema de cerca de R$ 81 milhões contra um repasse municipal de apenas R$ 20 milhões.
A reportagem entrou em contato com o Sindicato dos Rodoviários para saber sobre o avanço nas negociações e possível previsão de término da greve, mas até o momento não obteve resposta.





