Garimpo ilegal em Maués contamina rio Abacaxis; MPF cobra R$ 1,5 bilhão

Uma operação de garimpo ilegal que funcionou por quase três anos na Floresta Nacional do Urupadi, em Maués, deixou um rastro de devastação ambiental e contaminou as águas do rio Abacaxis, um dos principais afluentes da região. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o esquema extraiu ilegalmente 71,1 quilos de ouro, avaliados em cerca de R$ 56 milhões, e causou prejuízos que podem ultrapassar R$ 1,56 bilhão.
A ação civil pública apresentada pelo MPF tem como alvo 13 pessoas acusadas de integrar a estrutura responsável pela exploração ilegal na área conhecida como “Filão do Abacaxis”. Além da indenização bilionária, os investigados também respondem criminalmente por crimes ambientais, usurpação de bens da União e mineração clandestina.
Mercúrio e cianeto contaminaram o rio Abacaxis
De acordo com as investigações, o garimpo operou entre abril de 2023 e agosto de 2025 sem autorização dos órgãos ambientais ou da Agência Nacional de Mineração (ANM). O ouro era extraído com uso de mercúrio e cianeto, substâncias tóxicas que contaminaram cursos d’água e afetaram a bacia do rio Abacaxis, na zona rural de Maués.
Os danos vão além da poluição. Laudos técnicos apontam assoreamento de mais de um milhão de metros cúbicos de solo e destruição de quase quatro hectares de vegetação nativa dentro da unidade de conservação federal.
Segundo o MPF, a atividade ilegal funcionava 24 horas por dia e contava com estrutura semelhante à de uma pequena comunidade, com barracos, cantina, pista de pouso clandestina e equipes de segurança armada.
Os investigadores afirmam que os 13 acusados atuavam de forma organizada, dividindo funções ligadas à administração do garimpo, ao transporte, à comercialização do ouro e à ocultação do dinheiro obtido com a exploração ilegal.
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Cobrança bilionária e recuperação da área
O Ministério Público pede que os envolvidos sejam condenados a pagar cerca de R$ 210 milhões pelos danos ambientais, além da devolução de aproximadamente R$ 56 milhões referentes ao ouro extraído ilegalmente.
A ação também solicita indenização de R$ 100 milhões por réu (13 pessoas), referente a danos morais coletivos, valor que eleva a cobrança total para R$ 1,567 bilhão.
Além do pagamento, o MPF quer que os acusados sejam obrigados a recuperar integralmente a área degradada, por meio de um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad), que deverá ser aprovado pelo Ibama, pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) e pela Agência Nacional de Mineração.
O caso é apontado pelo MPF como uma das maiores ações já movidas contra o garimpo ilegal no Amazonas e evidencia os impactos da mineração clandestina sobre rios, floresta e comunidades que dependem dos recursos naturais da região.
Acesse a íntegra da ação.





