Falta de governança trava crescimento de empresas familiares

Muitos empresários acreditam ter uma grande empresa, mas na prática atuam como o principal funcionário do próprio negócio, com jornadas superiores há 14 horas diárias de trabalho, sem tempo para descansar ou tirar férias sem que os problemas emergenciais apareçam para ele resolver. Esse é um cenário que a professora de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO do Grupo Navegam, Michele Guimarães, traçou durante entrevista ao programa Primeira Onda, na manhã desta segunda-feira (27).
Segundo Guimarães, que possui formação internacional pela Oxford University de Londres, mestrado ESG (Ambiental, Social e Governança) e também acumula mais de 20 anos de carreira em gestão empresarial, com passagens por multinacionais como Ambev e Johnson & Johnson, a ausência de práticas de governança corporativa é um dos principais entraves ao crescimento de pequenas e médias empresas, especialmente as familiares.
O que é governança, segundo a especialista
“Eu sempre digo que governança é a regra do jogo dentro da sua empresa, é como você cria as formas de gerir a sua empresa, dando a esta empresa mais transparência e mais credibilidade”, afirmou a professora.
De acordo com Michele, maior consistência na governança amplia a credibilidade da empresa perante o mercado, facilitando o acesso a financiamentos e a novos clientes. “Hoje em dia, não tem como você desassociar crescimento de governança”, disse.
Para ela, a ideia de que o tema seria restrito a grandes corporações ou empresas de capital aberto já não faz mais parte da realidade atual do mercado. “As pessoas acham que governança é engessar a empresa, pelo contrário, é você estruturar essa administração para que ela possa crescer mais e com consistência”, declarou.
Muitas empresas enfrentam um estrangulamento ao ultrapassarem o porte de pequeno negócio e tentarem crescer, justamente pela ausência de práticas de governança implantadas. Nesse cenário, o empreendedor deixa de conseguir dar conta de todas as áreas sozinho, o que costuma resultar em aumento de dívidas e perda de controle sobre o fluxo de caixa.
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Empresas familiares e o problema da sucessão
Um dos pontos centrais da entrevista foi o desafio enfrentado por empresas familiares na transição entre gerações. “A empresa familiar precisa ter o plano de sucessão”, afirmou a professora da FGV, ao destacar que a falta de planejamento estruturado é um dos principais problemas que impedem o crescimento desses negócios.
Segundo Guimarães, o plano de sucessão deve começar muito antes da saída do fundador. “Não é só no momento que a geração anterior vai se aposentar e passa para a geração seguinte, pelo contrário, esse plano de sucessão começa quando a próxima geração ainda é criança”, disse.
A professora destacou ainda o acordo de sócios como documento fundamental para reduzir conflitos e evitar judicialização, ao estabelecer regras claras sobre a entrada de novos membros da família na gestão da empresa.
Curso oferece caminho prático para empresários
Para ajudar empresários a colocar essas práticas em ação, Michele Guimarães irá realizar uma imersão em governança corporativa em Manaus, em parceria com a FGV e o Grupo Sapiens. O evento ocorrerá dias 25, 26 e 27 de agosto, das 18h30 às 22h30. As inscrições podem ser feitas pelo perfil @sapiensfgvnorte ou pelo Instagram de Michele Guimarães, onde também há um cupom de desconto disponível.
“Eu não gosto de teoria, blá, blá, blá. O curso vai ser prático, para você entender o conceito e como ele vai ser aplicado”, explicou Michele que é professora da FGV há quase dez anos, atuando nas áreas de empreendedorismo, inovação e marketing.





