Estudo brasileiro abre caminho para vacina mais ampla contra a malária

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, pode representar um avanço no combate à malária, doença que segue como um dos maiores desafios de saúde pública da Amazônia. Cientistas identificaram um conjunto inédito de proteínas do parasita Plasmodium que poderá servir de base para o desenvolvimento de uma vacina mais ampla, capaz de atuar contra diferentes espécies do protozoário e em várias fases da infecção.
O estudo, publicado na revista científica Nature, apresenta uma abordagem diferente das vacinas atualmente disponíveis. Em vez de focar apenas na produção de anticorpos, os pesquisadores investigaram a atuação dos linfócitos T CD8+, células do sistema imunológico capazes de localizar e destruir células infectadas pelo parasita.
Ao todo, foram identificados 453 fragmentos de proteínas, derivados de 166 proteínas essenciais para a sobrevivência do Plasmodium. Como essas proteínas permanecem praticamente inalteradas entre diferentes espécies e ao longo do ciclo de vida do parasita, elas são consideradas candidatas promissoras para uma futura vacina de amplo alcance.
Os testes mostraram que esses antígenos foram reconhecidos pelo sistema imunológico de pessoas infectadas por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, além de apresentarem resposta em modelos experimentais com camundongos e primatas. Em alguns casos, houve redução da carga do parasita, um dos primeiros indícios de proteção observados pelos pesquisadores.
Apesar do avanço, a vacina ainda não está pronta. A descoberta representa uma etapa inicial e precisará passar por novas fases de validação e testes clínicos antes de chegar à população.
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A descoberta ganha relevância adicional para a região amazônica, onde a malária permanece endêmica. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 99% dos casos registrados no Brasil ocorrem nos estados da Amazônia Legal, incluindo o Amazonas, que historicamente figura entre os estados com maior incidência da doença.
Em 2023, o país registrou 140.265 casos autóctones, alta de 8,8% em relação ao ano anterior. A maior parte das infecções, 82,7%, foi causada pelo Plasmodium vivax, enquanto 17,3% foram provocadas pelo Plasmodium falciparum ou por infecções mistas, associadas a formas mais graves da doença.
Embora a letalidade na Amazônia seja baixa devido ao diagnóstico e ao tratamento precoces, a malária continua afetando principalmente comunidades ribeirinhas, indígenas e áreas rurais, o que reforça a importância de pesquisas que acelerem o desenvolvimento de uma vacina capaz de reduzir a transmissão e proteger a população da região.





