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“Eu achei até que a nota 1 foi alta”, diz empresário sobre a nota baixa de cursos de medicina de Manaus no Enamed

Em Manaus, os cursos que receberam conceito 1, o mais baixo da avaliação, foram os da Universidade Nilton Lins e do Centro Universitário CEUNI/Fametro
20/01/26 às 20:40h
“Eu achei até que a nota 1 foi alta”, diz empresário sobre a nota baixa de cursos de medicina de Manaus no Enamed

(Foto: Reprodução/Instagram)

Mais de 100 cursos de Medicina em todo o país foram considerados insatisfatórios no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (19/1), em Brasília. Em Manaus, os cursos que receberam conceito 1, o mais baixo da avaliação, foram os da Universidade Nilton Lins e do Centro Universitário CEUNI/Fametro.

Ao todo, 351 cursos participaram do exame, e 107 ficaram com notas 1 e 2, faixas consideradas inadequadas pelo Inep. As instituições mal avaliadas poderão sofrer sanções, como restrições no Fies, redução de vagas ou até suspensão total de novos ingressos, a depender do conceito obtido.

No Amazonas, as duas universidades públicas que têm cursos de medicina, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), obtiveram conceito 3, considerado regular.


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Críticas à qualidade e estrutura dos cursos

A divulgação dos resultados repercutiu fortemente no estado. O empresário Waldery Areosa Ferreira, dono do centro universitário Ciesa Manaus, afirmou que as notas baixas já eram esperadas e fez duras críticas à estrutura dos cursos de Medicina oferecidos por instituições privadas.

“Isso era esperado. Todo mundo sabe da qualidade desses cursos. Foi Fametro, Nilton Lins, Afya. Medicina sem hospital não funciona. Tentar ensinar medicina só em sala de aula e jogar esses alunos à noite nos hospitais é perigoso. Eles não têm hospital próprio para dar as aulas práticas”, declarou.

Segundo Waldery, a avaliação ainda foi generosa diante da realidade enfrentada pelos estudantes.

“Eu achei até que a nota 1 foi alta. Porque se fosse de 0 a 5, a nota seria zero. O aluno tem obrigação de estudar, pagar e frequentar, mas a mensalidade é exorbitante. Quase 10 mil reais por mês uma faculdade de medicina aqui em Manaus”, criticou.

O empresário também comparou os custos com outros países e questionou o retorno educacional entregue aos alunos.

“Na Bolívia, uma faculdade de medicina custa cerca de mil reais. Aqui, o aluno paga quase um milhão de reais ao final do curso. Qualidade ruim por qualidade ruim, o prejuízo é enorme”, afirmou.

Impactos no mercado e no ensino superior

Waldery ainda avaliou que os baixos índices podem gerar reflexos diretos no mercado de trabalho.

“Vai aumentar a quantidade de profissionais formados que não passam nos exames. Assim como já acontece no Direito, com pessoas dirigindo Uber porque não conseguem exercer a profissão”, disse.

Ele também criticou o modelo financeiro das instituições:

“A mensalidade da medicina sustentava a faculdade inteira. Eram milhares de alunos pagando 10 mil reais por mês. Mesmo assim, o resultado foi esse. Imagina então os cursos de Direito, Administração e Contabilidade”, concluiu.

Em nota, o Centro Universitário CEUNI/Fametro afirma possuir uma trajetória consolidada na educação superior brasileira, com mais de 20 anos de atuação, 53 mil alunos formados e presença acadêmica em 11 estados. A instituição também destaca ter alcançado conceito 4 no Índice Geral de Cursos (IGC), indicador oficial do Ministério da Educação (MEC) que avalia, de forma global, a qualidade institucional, o desempenho acadêmico e a estrutura pedagógica das instituições de ensino superior.

Nota de esclarecimento da faculdade

A Fametro possui uma trajetória sólida e reconhecida na educação superior brasileira há mais de vinte anos, com mais de 53 mil alunos formados, atuação acadêmica em 11 estados da Federação e conceito 4 no Índice Geral de Cursos (IGC) — indicador oficial do Ministério da Educação (MEC) que avalia, de forma global, a qualidade institucional, o desempenho acadêmico e a estrutura pedagógica das instituições de ensino superior.

Recentemente, foram divulgadas informações acerca de avaliações específicas que têm gerado questionamentos. Nesse contexto, é fundamental esclarecer que o próprio Ministério da Educação admitiu a existência de inconsistências nos dados do ENAMED utilizados para o cálculo das notas dos cursos de Medicina, conforme publicado na data de hoje por um dos maiores e mais respeitados jornais do país, o Valor Econômico.

Diante desse cenário, qualquer conclusão definitiva ou juízo final baseado em dados ainda sob análise carece de respaldo técnico e jurídico, até que o processo de verificação e eventual retificação seja concluído pelo órgão competente.

Por essa razão, a Fametro aguarda a manifestação oficial e conclusiva do Ministério da Educação, exercendo plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa.

A Instituição reafirma seu compromisso permanente com os mais elevados padrões de qualidade acadêmica, comprovado pela formação consistente de seus egressos, amplamente inseridos no mercado de trabalho, pelo contínuo investimento em infraestrutura, corpo docente qualificado e projetos pedagógicos atualizados, além de sua atuação estratégica na expansão do acesso ao ensino superior, especialmente em regiões onde o poder público não consegue atuar de forma plena.