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Dia do Fotógrafo: Wesley Andrade celebra profissão e diz que “a fotografia está no olhar, não no equipamento”

Com mais de três décadas de estrada, Wesley conta que entrou na fotografia quase por acaso, quando ainda trabalhava no marketing
08/01/26 às 17:26h
Dia do Fotógrafo: Wesley Andrade celebra profissão e diz que “a fotografia está no olhar, não no equipamento”

(Foto: Arquivo Pessoal)

No Dia do Fotógrafo, celebrado em 8 de janeiro, a data ganha um significado especial para o profissional Wesley Andrade, que resume a essência da fotografia em uma frase direta: “A fotografia tem a ver com o olhar, com a percepção, com a criatividade”.

Com mais de três décadas de estrada, Wesley conta que entrou na fotografia quase por acaso, quando ainda trabalhava na área de marketing. “A própria empresa me convidou para ser fotógrafo… do marketing eu migrei para a fotografia”, relembra. A trajetória começou em Manaus, em um grupo de lojas onde atuava como fotógrafo de estúdio, e passou por diferentes frentes: redações, eventos e projetos autorais.

Da família ao clique profissional

Segundo ele, o interesse nasceu como hobby e, ainda jovem, virou solução dentro de casa. “Minha mãe tinha uma floricultura e precisava de fotografias… fui buscar na fotografia solução para um problema em família”, disse. Depois, veio o reconhecimento em concursos, e o empurrão definitivo para assumir a câmera como profissão.

“O olhar do fotógrafo é único”

Para Wesley, a diferença entre uma foto comum e uma imagem autoral começa antes do clique. “Antes a fotografia vem na nossa cabeça, para depois ela ser materializada”, afirma. Ele defende que o fotógrafo autoral “sai do trivial” e busca o resultado que já consegue enxergar previamente.

O maior desafio: fotografar uma invasão “de frente”

Entre as histórias marcantes, ele destaca uma cobertura fora da rotina. “Meu maior desafio foi fotografar uma invasão”, conta. Na cena, segundo o fotógrafo, a polícia de choque avançava contra as pessoas e ele decidiu se posicionar do lado oposto do mais comum. “Queria realmente estar na visão de quem estava sendo ameaçado”. O resultado, diz ele, rendeu uma imagem tão forte que chegou a ser tratada como montagem na época, por parecer “cenário de guerra”.


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Momentos inesquecíveis e fotos guardadas

Wesley também cita trabalhos que marcaram sua carreira, como a cobertura do São Paulo Fashion Week e retratos de personalidades. Mas revela que, mesmo com uma vida inteira fotografando, ainda guarda imagens que ama e que nunca publicou. “A gente acaba hoje arquivando muita coisa… tem várias fotografias minhas que eu amo e elas realmente não estão divulgadas”, admite.

Já a situação mais inesperada, ele garante, aconteceu no Teatro Amazonas. “Pediram para eu sair… porque as Spice Girls iriam chegar”, relembra. Ele subiu até a cúpula e conseguiu registrar o momento, antes de ser retirado pelos seguranças.

Redes sociais: “catálogo digital, sem fronteiras”

Para o fotógrafo, as redes sociais viraram vitrine. “A rede social é muito importante hoje em dia… o mundo todo está vendo o trabalho”, afirma, destacando que a divulgação não precisa ficar restrita ao Instagram e ao Facebook.

Inteligência artificial: ajuda no tratamento, mas não substitui o retrato real

Wesley diz que a IA pode ser aliada quando respeita o trabalho do fotógrafo, especialmente no tratamento de imagens. Ele afirma usar há anos uma ferramenta baseada em IA, voltada para fluxo profissional, que “não cria nada, só trata”. Ao mesmo tempo, faz uma crítica ao uso de IA para “inventar” retratos: “Retratar tem a ver com retratar a realidade”, defende.

Exposições fotobiográficas e o conceito de “expofotobiografia”

Entre os principais projetos autorais, Wesley destaca as exposições em formato fotobiográfico, em que cada retrato é apresentado com um resumo da história do homenageado. Ele batizou o conceito de “expofotobiografia” e afirma que os projetos foram registrados no INPI, o que traz segurança para expandir o trabalho. Segundo ele, há planos de levar as edições para fora de Manaus, incluindo execuções em Boa Vista (RR) e São Paulo (SP).

“Ser fotógrafo hoje é viver um dos maiores momentos da fotografia”

Na visão do profissional, nunca se produziu e consumiu tanta imagem como agora, mas isso não diminui o peso do trabalho especializado. “O trabalho de um fotógrafo profissional tem um destaque completamente diferenciado de uma fotografia de celular”, diz. E conclui: “A fotografia está no olhar artístico, no que você produz com o equipamento que você tem na mão”.

Fotógrafo Wesley Andrade. (Foto: acervo pessoal)