Calor extremo aumenta risco de parto prematuro em Manaus; entenda

As altas temperaturas registradas em Manaus acendem um alerta para a saúde das gestantes. Especialistas orientam que o calor extremo pode aumentar o risco de desidratação, estresse térmico e outras complicações durante a gravidez, o que pode elevar inclusive a possibilidade de parto prematuro e de prejuízos à saúde materna e fetal.
O alerta faz parte das ações do Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima para o Setor Saúde (AdaptaSUS), iniciativa do governo federal voltada à preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar os impactos das mudanças climáticas sobre a população.
Por que as gestantes são mais vulneráveis?
Segundo a chefe da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), enfermeira Lúcia Freitas, as gestantes estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor devido às alterações fisiológicas naturais da gravidez.
“Essas mudanças reduzem a capacidade do organismo de se adaptar às altas temperaturas, aumentando a predisposição à desidratação, ao estresse térmico e a complicações que podem afetar tanto a mãe quanto o bebê, incluindo maior risco de parto prematuro”, explica.
Em Manaus, onde as temperaturas elevadas se somam à alta umidade típica da região amazônica, os efeitos do calor podem ser ainda mais intensos, exigindo atenção redobrada durante toda a gestação.
Cuidados essenciais durante o calor
Para reduzir os riscos, profissionais de saúde orientam que as gestantes:
- mantenham hidratação constante, ingerindo água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede;
- utilizem roupas leves e de cores claras;
- evitem exposição ao sol entre 10h e 16h;
- permaneçam em locais ventilados e protegidos do calor;
- façam refeições leves e em pequenas porções ao longo do dia;
- fiquem atentas a sinais como tontura, fraqueza, mal-estar, sede intensa, urina escura ou diminuição do volume urinário, procurando atendimento médico caso esses sintomas apareçam.
Além da hidratação, a alimentação também desempenha papel importante na prevenção de complicações. A nutricionista Raiane Áila Teixeira Souza recomenda priorizar frutas, verduras e legumes ricos em água, como melancia, melão, laranja, pepino e tomate.
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Ela orienta ainda que as refeições sejam preparadas, preferencialmente, cozidas, assadas ou grelhadas, reduzindo o consumo de frituras, alimentos ultraprocessados, refrigerantes e bebidas açucaradas, que podem aumentar o desconforto causado pelo calor.
Outro cuidado importante é com a conservação dos alimentos. Em períodos de temperaturas elevadas, cresce o risco de contaminação por alimentos que permanecem muito tempo fora da refrigeração, o que pode provocar infecções e agravar ainda mais o estado de saúde da gestante.
Atenção especial aos grupos mais vulneráveis
As equipes da Atenção Primária à Saúde foram orientadas a intensificar o acompanhamento pré-natal, especialmente entre gestantes com acompanhamento irregular e aquelas que vivem em comunidades ribeirinhas, áreas periféricas ou apresentam condições de saúde como hipertensão, diabetes e doenças cardíacas. Também recebem atenção especial mulheres que trabalham em ambientes com altas temperaturas.
Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos, especialistas reforçam que o calor deixou de ser apenas um fator de desconforto e passou a representar um risco real à saúde. Por isso, a adoção de medidas preventivas é considerada fundamental para proteger gestantes e reduzir complicações durante a gravidez.





