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Ayahuasca no Amazonas: o que está por trás do ritual que atrai o mundo

Tchey Rocha, tatuador e curandeiro, explica sobre as propriedades curativas e os mistérios envoltos da bebida
15/02/26 às 10:00h
Ayahuasca no Amazonas: o que está por trás do ritual que atrai o mundo

(Foto: Arquivo pessoal)

Ela nasceu na Amazônia há séculos, das mãos de povos originários que descobriram na união do cipó mariri com a folha chacrona uma bebida sagrada capaz de curar, conectar e revelar. Hoje conhecida como Ayahuasca, a “corda dos mortos” na tradução do quéchua, essa medicina atravessou gerações e fronteiras, chegando aos centros urbanos.

A Rede Onda Digital conversou com um expoente da Ayahuasca em Manaus. O paulista Tchey Rocha, tatuador e curandeiro, encontrou seu caminho no xamanismo ancestral.

“Eu não nasci em aldeia, nasci em São Paulo”, diz Tchey. “Meu avô, que eu nem conheci, era curandeiro. A mãe do meu pai é indígena. Vim para a Amazônia há pouco mais de dez anos e aqui tive acesso a essas culturas ancestrais.”

A trajetória de Tchey até se tornar condutor de cerimônias começou em 2009, em São Paulo, quando tatuava um cliente que consagrava a bebida. Entre uma sessão e outra, vinham as conversas sobre transformação e cura. “Ele me contou os processos dele com a Ayahuasca. Isso foi me sensibilizando.”

 

Ayahuasca na espiritualidade e ciência

O primeiro convite veio em 2021. Frequentou por mais de um ano sessões em uma casa que serve a Ayahuasca em linha universalista. Mas foi em 2022, ao participar de uma cerimônia no xamanismo ancestral, que algo se abriu. “Vieram muitas respostas.” Pouco depois, conheceu Bu’ú Kennedy, que se tornaria seu principal mestre.

Hoje, Tchey conduz o Amazônia Kurandê, com cerimônias em dois locais de Manaus: uma vez por mês no bairro Parque Dez de Novembro e outra na entrada da BR-174. As sessões são em círculo, ao redor do fogo. Há cânticos, os ícaros, tambor, flauta, rapé e sananga.

“Minha responsabilidade é manter um campo seguro para que as pessoas consagrem a Ayahuasca”, afirma. Antes de cada cerimônia, ele envia uma anamnese para avaliar condições físicas e mentais dos participantes.

Cerimônia no Parque Dez (Foto: Arquivo pessoal)

O cuidado não é trivial. A Ayahuasca contém DMT, substância psicoativa que exige ambiente adequado e condução experiente. Especialistas alertam: o uso de antidepressivos como fluoxetina e sertralina é contraindicação, assim como histórico de esquizofrenia, psicose ou transtorno bipolar. Em ambientes não controlados, os riscos incluem surtos psicóticos e crises de ansiedade.

Tchey explica que a Ayahuasca é um enteógeno, classe de psicodélicos que proporciona contato com o divino e cura, e não um alucinógeno. “O alucinógeno causa confusão. O enteógeno faz diferença na vida.

Diferentes manifestações na consciência

A bebida se manifesta de três formas: miração, visão e percepção. Na miração, a pessoa enxerga geometrias sagradas. Nas visões, é transportada para situações do passado, trazendo luz a bloqueios emocionais. Nas percepções, a consciência recebe informações sobre comportamentos e processos internos. “A Ayahuasca desarma o ego. Ela revela nossas profundezas”, diz.

Tchey ministrando uma cerimônia (Foto: Arquivo pessoal)

“Ser xamã hoje é ser um eterno aprendiz. É ser ponte entre a floresta e o urbano, entre o ancestral e o contemporâneo. É honrar os saberes dos povos originários e integrá-los com os saberes de agora.”

Essa integração, para ele, é resposta ao adoecimento da sociedade. “Olha como estamos adoecidos. Emocional, espiritual, ambientalmente. Estamos aqui para servir, para promover cura e bem.”

No meio do debate sobre internacionalização, apropriação cultural e regulamentação, curandeiros como Tchey seguem seu trabalho. Na beira da BR-174, ele prepara o fogo e recebe aqueles que buscam a Ayahuasca não como turistas, mas como aprendizes.

Cerimônia na chácara (Foto: Arquivo pessoal)

“As pessoas me procuram para vivenciar as cerimônias. Estou aqui para conectá-las com a própria cura.”

No final da sessão, os participantes compartilham o que vivenciaram. Depois, o café da manhã e o retorno para casa. A vida segue, talvez mais leve.

“A ayahuasca veio para limpar bloqueios, para que as pessoas tenham uma vida mais próspera, saudável e integrada.”

Como participar de uma cerimônia

Aos interessados, Tchey disponibiliza o contato (92) 98120-1040 para informações sobre datas, endereços e participação.

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