Aluá, munguzá e canjica: as bebidas que resistem ao tempo nas festas juninas

As festas juninas são conhecidas pelas danças de quadrilhas, fogueiras e comidas à base de milho, mas as bebidas também ocupam lugar de destaque nas celebrações que tomam conta do Brasil durante os meses de junho e julho. Algumas delas remontam às tradições rurais do país e carregam influências indígenas, africanas e europeias.
Entre as mais conhecidas estão o quentão, o vinho quente, os licores artesanais e uma série de preparações feitas à base de milho, ingrediente que simboliza a colheita realizada nesta época do ano. Em diferentes regiões do país, bebidas como mingau de milho, munguzá, canjica líquida e aluá continuam presentes nas mesas dos arraiais.
O milho, principal símbolo do ciclo junino, dá origem a diversas receitas consumidas tanto como alimento quanto como bebida. Em muitos arraiás de bairros em Manaus o mingau de milho é servido em copos e consumido durante toda a noite das festividades.
O mingau de milho é preparado com milho verde (que tem cor amarela) ou flocos de milho, leite, açúcar e canela. A receita tradicional leva:
- 500 gramas de milho verde debulhado ou duas xícaras de flocos de milho;
- 1 litro de leite;
- meia xícara de açúcar;
- canela em pó a gosto.
Os ingredientes são cozidos até adquirir consistência cremosa. Em algumas preparações, acrescenta-se leite de coco para reforçar o sabor.
Outra presença frequente nos festejos é o munguzá. A bebida deriva de uma receita preparada com grãos de milho branco cozidos lentamente em leite.
A receita tradicional inclui:
- 500 gramas de milho para munguzá;
- 1 litro e meio de leite;
- 200 mililitros de leite de coco;
- açúcar a gosto;
- canela e cravo.
Após várias horas de cozimento, o preparo adquire textura cremosa e pode ser servido quente ou frio.

Já a canjica líquida é uma variação mais fluida da receita tradicional. Bastante encontrada em festas populares do Nordeste, ela também é uma das preferências em Manaus e é servida em copos e consumida como bebida.
Os ingredientes mais utilizados são:
- milho branco cozido;
- leite;
- leite condensado;
- leite de coco;
- canela.
Depois de cozida, a mistura é batida ou preparada com maior quantidade de líquido, resultando numa bebida cremosa e adocicada.

Entre as bebidas menos conhecidas nacionalmente, mas muito presente na cultura junina amazonense está o aluá, cuja origem remonta às tradições indígenas e africanas. Considerado um dos refrigerantes naturais mais antigos do Brasil, o aluá era consumido muito antes da popularização das bebidas industrializadas.
Existem diferentes versões da receita. Uma das mais tradicionais utiliza:
- cascas de abacaxi;
- água;
- açúcar ou rapadura;
- gengibre.
Os ingredientes permanecem em fermentação por até três dias, produzindo uma bebida levemente gaseificada, de sabor agridoce e baixo teor alcoólico natural.

As bebidas juninas refletem a diversidade cultural do país e ajudam a preservar costumes transmitidos entre gerações. Mais do que acompanhar as comidas típicas, elas representam uma parte importante da identidade das festas realizadas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro.
Enquanto o quentão e o vinho quente continuam associados aos arraiais das regiões Sul e Sudeste, preparações como o munguzá, a canjica líquida, o mingau de milho e o aluá mantêm vivas tradições culinárias que atravessam séculos e seguem presentes nas celebrações populares brasileiras, especialmente no Amazonas.





