O que fazer se uma criança ingerir produto de limpeza? Especialista orienta

Basta um momento de distração para que um produto de limpeza ou um medicamento se transforme em um perigo dentro de casa. A curiosidade natural das crianças, especialmente nas primeiras fases da infância, faz com que elas explorem tudo ao redor, inclusive substâncias que podem causar intoxicações graves.
O problema costuma acontecer em situações aparentemente inofensivas: um remédio deixado sobre a mesa, um desinfetante armazenado em local de fácil acesso ou até um produto de limpeza colocado em uma embalagem que lembra uma bebida. A semelhança de cores, cheiros e embalagens pode despertar o interesse dos pequenos e aumentar o risco de acidentes.
Em 2022, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registrou 177.766 casos de intoxicação, com 32,6% acometendo crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. Esse levantamento também aponta que 69,4% dos casos de intoxicação ocorreram de forma acidental. Por isso, orientações para os pais ou responsáveis são sempre necessárias.
Como prevenir?
- Em primeiro lugar, vale a regra mais básica: Não descuide, mantenha a supervisão sobre crianças a todo o momento.
- Produtos de limpeza e venenos devem ser guardados longe do alcance das crianças, preferencialmente em armários trancados.
- Guarde os alimentos separados dos produtos de limpeza e venenos (inseticidas, raticidas etc.).
- Nunca reutilize as embalagens para armazenar outros produtos: não coloque detergente, por exemplo, em garrafa pet onde ele possa ser confundido como refrigerante pela criança.
- Só compre produtos lacrados e na embalagem original.
- Quanto a medicamentos: devem ficar trancados e fora do alcance das crianças. Nunca diga à criança que remédio é doce e faz ficar forte.
Principais sintomas da intoxicação por produtos químicos e de limpeza:
- Dor;
- Vômito;
- Convulsão;
- Diarreia;
- Paralisia;
- Respiração difícil;
- Confusão mental;
- Mudança na cor dos lábios;
- Sensação de queimação na boca, garganta ou estômago.
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O que fazer em caso de intoxicação? Especialista orienta
A Onda Digital conversou com a doutora Rayanne Araújo, do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), sobre o assunto, e ela trouxe recomendações para pais e responsáveis.

“A intoxicação infantil por produtos de limpeza é um problema recorrente e representa uma importante questão de saúde pública”, disse a doutora. “As crianças são especialmente vulneráveis porque possuem menor massa corporal e costumam explorar o ambiente por meio do tato e da ingestão”.
Segundo ela, entre os produtos mais comuns encontrados em casa estão a água sanitária, que contém hipoclorito de sódio; os desinfetantes, que frequentemente possuem compostos quaternários de amônio; os limpadores alcalinos para remoção de gordura; e os limpadores ácidos utilizados em pisos e banheiros.
Devido a essa variedade de opções, muitas pessoas costumam fazer misturas por acreditar em resultados eficazes na hora da limpeza, mas, que pode se tornar um grande perigo.
“Muitas pessoas acreditam que essa prática aumenta a eficiência da limpeza, mas ela pode gerar reações químicas perigosas. A mistura de água sanitária com produtos que contêm amônia ou com alguns desinfetantes pode liberar gases tóxicos que irritam as vias respiratórias, causando tosse, ardência nos olhos e dificuldade para respirar”, disse Rayanne.
Ela então passou orientações práticas em caso de acidentes com crianças e produtos de limpeza:
- Em caso de intoxicação, a primeira orientação é manter a calma e identificar o produto envolvido.
- Se houver ingestão, não se deve induzir o vômito, pois isso pode agravar as lesões químicas.
- Não ofereça à criança leite, medicamentos ou qualquer outra substância sem orientação especializada.
- Em caso de contato com os olhos ou com a pele, a recomendação é realizar lavagem abundante com água corrente por vários minutos.
- Em caso de inalação de vapores, especialmente após mistura de produtos de limpeza, a criança deve ser levada para um ambiente ventilado. Caso os sintomas respiratórios persistam, deve-se procurar avaliação médica.
- O mais importante: procure atendimento médico imediatamente, levando a embalagem ou uma foto do rótulo do produto ao qual a criança foi exposta.





