A próxima bioinovação amazônica está a caminho com apoio do dono da Amazon

Há cerca de duas semanas, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) divulgou os 50 participantes selecionados pelo Desafio da Bioinovação na Amazônia, iniciativa apoiada pela Bezos Earth Fund, fundação filantrópica de Jeff Bezos, para desenvolverem ideias de produtos usando a biodiversidade regional para gerar renda local e manter a floresta em pé.
“É importante esclarecer que a participação do fundo de Bezos é estritamente filantrópico. Ele não tem acesso a nenhuma propriedade intelectual […] ou participação em nenhum negócio que vai ser fundado”, garantiu Paulo Simonetti, líder da área de inovação e ESG do Idesam, em entrevista ao programa Primeira Onda, nesta quarta-feira (12/8).
Entre os selecionados há 25 pesquisadores da região amazônica e 25 especialistas em pesquisa e desenvolvimento de diferentes partes do mundo, que agora formam duplas de trabalho até a próxima fase do Desafio, que acontece em setembro, quando serão escolhidos dez projetos que seguem para a etapa de validação da tecnologia e da criação do plano de negócios.
“As dez propostas selecionadas vão receber R$ 100 mil cada para validação de tecnologia, além de bolsas de até R$ 7,5 mil por seis meses para os participantes. No final de maio de 2027, a ideia é que a gente tenha uma tecnologia bem validada e um plano de negócio bem estruturado para que a gente possa selecionar das 10 que foram validadas, as 3 melhores”, explicou Simonetti.
As três ideias finalistas receberão de R$ 100 mil a R$ 200 mil para implementarem a tecnologia desenvolvida.
Para Simonetti, o desafio pode se tornar um marco da inovação na Amazônia. Ele citou o pesquisador Djalma Batista para ilustrar a defasagem tecnológica histórica das cadeias produtivas da região, segundo o qual a única inovação registrada na cadeia da borracha foi a faca de ponta curvada usada até hoje para extrair a seiva. “A ideia dessa chamada é a gente subverter essa lógica, implementando na Amazônia essas inovações”, disse.

Iniciativas anteriores que já geraram resultado
O Idesam aponta que esse tipo de aposta em inovação já rendeu resultados concretos ao longo de sua atuação. Um dos exemplos citados por Simonetti é o Café Apuí, produzido pela Amazônia Agroflorestal na região de Apuí, no arco de desmatamento, no sul do Amazonas.
O produto é cultivado em sistema agroflorestal, consorciado com o replantio da floresta, e toda a cadeia, do plantio à torra e à embalagem, é feita no próprio território. Hoje, mais de 60 famílias participam da produção, que já é vendida em redes como Pão de Açúcar e Carrefour e também é exportada.
De acordo com Simonetti, o Idesam já impactou mais de 5 mil famílias e ajudou a fundar ou estruturar mais de 100 negócios, entre associações, cooperativas comunitárias, startups e empresas de maior porte, ao longo de sua história.
22 anos de atuação na Amazônia
O Idesam completa 22 anos de atuação na região em 2026, com foco em conservação ambiental e geração de renda para quem vive na floresta. O instituto atua em quatro frentes: inovação em bioeconomia, cadeias produtivas sustentáveis, ação climática e governança territorial.
O instituto também disponibiliza em seu site um manual de interação com comunidades, construído ao longo de sua atuação, com orientações sobre comercialização, elaboração conjunta de projetos e construção de relações de longo prazo.
Entre os materiais reunidos pelo instituto também estão um estudo sobre projetos de carbono no Brasil e um mapeamento de mais de 60 comunidades da região entre os rios Madeira e Purus. Interessados em conhecer o trabalho do Idesam podem buscar informações pelo site idesam.org ou pelo e-mail bioeconomia.org.br.





