37,6°C, seca e rios baixos: por que educação ambiental virou urgência no Amazonas

O Amazonas enfrenta um cenário de alerta climático marcado por calor intenso, previsão de seca severa e redução do nível dos rios, enquanto a educação ambiental ainda ocupa espaço limitado nas escolas. Em Manaus, os termômetros chegaram a 37,6°C em 1º de setembro, a maior temperatura registrada no ano até então, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Ao mesmo tempo, previsões para 2026 apontam para o avanço do El Niño, que pode se estender até o início de 2027 e contribuir para condições mais severas na região amazônica.
O impacto pode ser ainda maior no interior do Estado. Em Humaitá, a Prefeitura decretou situação de emergência em saúde pública por até 180 dias devido à seca na Calha do Madeira. A previsão é de que pelo menos 200 comunidades ribeirinhas sejam diretamente afetadas pela redução do nível do rio, principal meio de acesso às localidades.
Em junho, o Governo do Amazonas decretou estado de emergência climática e ambiental nos 62 municípios do Estado, de forma preventiva, diante das previsões meteorológicas.
Educação ambiental ainda é desafio
O cenário climático contrasta com a forma como o tema ambiental é trabalhado nas escolas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 10% das escolas desenvolvem a educação ambiental como eixo principal.
A maior parte aborda o assunto por meio de projetos transversais ou interdisciplinares, em 64% das escolas. Outros 52% trabalham conteúdos ambientais dentro do currículo. Apenas 11% possuem um componente curricular específico sobre educação ambiental.
Saiba mais:
Candidatura de fachada pode ser fraude mesmo sem intenção comprovada, diz TRE-AM
David Reis fica fora de quase metade das sessões da CMM no início da campanha
Diante desse cenário, a Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) vem realizando ações educativas em escolas públicas de Manaus e do interior.
Mais de 400 estudantes participaram
O projeto começou em 24 de julho, na Escola Estadual Sant’Ana, no bairro Petrópolis, zona Sul de Manaus, reunindo mais de 40 estudantes em uma aula-piloto.
Durante agosto, a iniciativa chegou a Eirunepé e Humaitá. Ao todo, mais de 400 estudantes participaram das duas palestras realizadas no interior, conduzidas pelas defensoras públicas Marcela Vignoli e Fernanda Carvalho.
As atividades abordam o papel da Defensoria na proteção do meio ambiente e das populações vulneráveis, além dos impactos das mudanças climáticas no cotidiano.
Em Manaus, o projeto também participou da Conferência Local das Juventudes (LCOY), com uma palestra sobre Justiça Intergeracional e Direito à Natureza para estudantes do Ensino Médio.
Em um Estado onde rios são estradas e a seca pode comprometer transporte, abastecimento e serviços básicos, levar o debate climático para as escolas se torna uma forma de preparar as novas gerações para os desafios de um ambiente em transformação.





