Reação à vitória de Lula: entenda porque a política mexe com Bolsa e dólar

Bem antes de os brasileiros irem às urnas, o mercado financeiro já acompanhava as falas e as atitudes dos candidatos do segundo turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), além das pesquisas eleitorais. As movimentações no cenário político influenciam o mercado no futuro próximo.
Nesta segunda-feira (26/10), a reeleição confirmada de Lula já teve impacto sobre o mercado financeiro. O dólar abriu em forte alta e o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve o pregão interrompido no início da manhã pelo mecanismo do circuit breaker.
Por que a política influencia o mercado
O mercado costuma oscilar com força em momentos como esse porque tenta antecipar os efeitos que as propostas e a vitória de determinado candidato podem ter sobre a economia.
O Ibovespa, o dólar e os juros futuros reagem com mais intensidade em períodos eleitorais, porque as notícias políticas trazem incertezas sobre as contas públicas e os rumos da economia.
Recentemente, o reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo governo Lula a 17 dias das eleições presidenciais, desvalorizou o real em relação ao dólar e levou a bolsa a cair para 185 mil pontos, em razão da preocupação com o impacto da medida sobre as contas públicas.
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Vitória contrariou as pesquisas
A grande maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sua vitória era vista pelo mercado como mais favorável ao equilíbrio das contas públicas.
Com o resultado, inesperado diante das pesquisas, os investidores precisam recalibrar suas apostas e avaliar os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
Outros fatores também afetam o mercado
A política, porém, não é o único fator de peso. Os atentados terroristas de 11 de setembro, a recente guerra entre Estados Unidos e Irã, que afetou o fornecimento mundial de petróleo, e a pandemia de Covid-19 derrubaram bolsas em todo o mundo.
A instabilidade política também nem sempre se reflete na bolsa. Segundo o analista Alvaro Maia, banker da StoneX, em declaração ao G1, o escândalo do Mensalão, em 2006, teve pouco impacto sobre o mercado, porque o fluxo de investimento estrangeiro no Brasil se manteve constante e o cenário internacional era favorável. Por isso, a turbulência política não teve grande repercussão financeira.
Com informações do G1.





