Petrobras limita venda de combustíveis e acende alerta no mercado

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A decisão da Petrobras de limitar a venda de combustíveis às distribuidoras em abril acendeu um alerta no mercado e pode impactar preços e abastecimento no país. O volume disponível para compra pode ser até 20% menor em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo agentes do setor.
A medida, que teria surpreendido empresas do segmento, ocorre em um cenário de alta nos preços internacionais. Com menor oferta interna, distribuidoras podem ser levadas a aumentar as importações — mais caras — ou enfrentar risco de desabastecimento em algumas regiões.
A Petrobras, por sua vez, nega redução no fornecimento. Em nota, a estatal afirma que suas refinarias operam com capacidade máxima e que os contratos firmados para março e abril serão cumpridos integralmente. A empresa também informa ter antecipado entregas e ampliado a oferta em cerca de 15% acima do previsto inicialmente.
Limitação e impacto no mercado
Mensalmente, a Petrobras define uma cota de combustível que cada distribuidora pode adquirir, prática adotada porque o Brasil não produz o suficiente para atender toda a demanda interna. Para abril, esse limite teria sido reduzido.
Além disso, houve mudança na forma de liberação do volume: a cota passou a ser distribuída em parcelas diárias. Segundo empresas, isso dificulta o planejamento, já que o consumo não é uniforme ao longo do mês.
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Dependência de importações
Com menor oferta nacional, cresce a necessidade de compra de combustível no exterior, o que eleva os custos. O diesel importado chegou a custar até R$ 2,70 a mais que o vendido nas refinarias, enquanto a gasolina apresentou diferença de até R$ 1,50 por litro.
Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado. No caso da gasolina, o percentual gira em torno de 10%.
Risco de alta e desabastecimento
Especialistas avaliam que o cenário pode pressionar os preços nas bombas nas próximas semanas, já que o combustível importado tende a ser repassado ao consumidor final.
Há também preocupação com a logística. Enquanto o combustível nacional chega por dutos, o importado depende de transporte marítimo e rodoviário, o que encarece e dificulta a distribuição.
Se houver dificuldades na importação ou no transporte, pode haver desabastecimento pontual, especialmente em períodos de maior demanda, como durante a safra agrícola, quando o consumo de diesel aumenta.
(*)Com informações da CNN Brasil





