Maioria dos brasileiros prefere China aos EUA como parceiro comercial, aponta pesquisa

A maioria dos brasileiros passou a defender uma aproximação comercial maior com a China em vez dos Estados Unidos. É o que revela pesquisa PoderData, divulgada nesta sexta-feira (24), o que indica uma mudança na percepção da população sobre a política comercial externa do país em meio ao agravamento das tensões entre Brasília e Washington.
Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmam que o Brasil deve fortalecer suas relações comerciais com a China, enquanto 35% preferem uma maior aproximação com os Estados Unidos. Outros entrevistados não souberam responder ou não opinaram.
O resultado representa uma inversão em relação ao cenário registrado um ano antes. Na pesquisa realizada no mesmo período de 2025, 59% dos brasileiros defendiam maior proximidade comercial com os Estados Unidos, contra 32% que apontavam a China como principal parceiro estratégico.
A pesquisa perguntou aos entrevistados se era melhor o Brasil ter mais relações comerciais com a China ou com os Estados Unidos.
Mudança ocorre após escalada das tarifas dos EUA
A mudança na opinião pública ocorre em um momento de forte desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, o governo norte-americano passou a adotar medidas comerciais mais rígidas contra produtos brasileiros.
Em julho de 2025, Washington anunciou uma tarifa de 50% sobre parte das exportações brasileiras, alegando questões relacionadas ao tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Posteriormente, parte dessa taxação foi revista.
Neste ano, a tensão voltou a crescer. Em junho, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais.
Na quinta-feira, 23, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma nova sobretaxa de 12,5%, alegando que o Brasil não aplica de forma efetiva medidas para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Somadas, as novas medidas podem elevar para até 37,5% a carga tarifária sobre parte das exportações brasileiras.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu classificando as medidas como arbitrárias, anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou que poderá utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica para responder às tarifas.
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China amplia espaço nas exportações brasileiras
Enquanto as relações com os Estados Unidos enfrentam um período de instabilidade, a China vem ampliando sua participação como principal destino das exportações brasileiras.
De acordo com dados citados pelo PoderData, entre agosto e novembro de 2025, as exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram 28,6% em comparação com o mesmo período de 2024, compensando parte das perdas provocadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. No mesmo intervalo, as exportações destinadas ao mercado norte-americano recuaram 25,1%.
A expectativa é que o novo pacote tarifário dos Estados Unidos acelere ainda mais esse movimento de redirecionamento do comércio exterior brasileiro para o mercado asiático.
Pesquisa também aponta desgaste da imagem dos EUA
O avanço da preferência pela China acompanha uma piora na percepção dos brasileiros sobre os Estados Unidos. Em levantamento anterior realizado pelo PoderData em parceria com a Aya, entre 12 e 15 de julho, 42% dos entrevistados afirmaram que um eventual apoio do presidente Donald Trump a um candidato à Presidência da República teria impacto negativo, indicando desgaste da imagem do governo norte-americano entre parte do eleitorado brasileiro.
Dados da pesquisa
O levantamento foi realizado pelo PoderData, empresa do grupo Poder360, entre os dias 18 e 20 de julho, com 2.500 entrevistas realizadas por telefone em 147 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.





