De barco ou avião: como as urnas chegam às comunidades mais isoladas do Amazonas

No Amazonas, votar vai muito além de chegar à seção eleitoral. Para que as urnas estejam disponíveis no dia 4 de outubro, a Justiça Eleitoral organiza uma operação que envolve rios, estradas, transporte aéreo e até caminhadas de uma hora para alcançar comunidades isoladas.
A logística começa meses antes da eleição. Em Manaus, no Centro de Preparação de Urnas do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), os equipamentos passam por geração de mídias, carga das informações, testes e lacração antes de serem enviados aos municípios.
Ao todo, são quase 9 mil urnas utilizadas nas eleições na região. Para organizar a distribuição, o TRE-AM estruturou 26 polos de preparação no interior. Esses municípios recebem equipamentos que também serão utilizados em localidades próximas.
Segundo Marcelo Sussuarana, assessor de Gestão das Eleições do TRE-AM, Manacapuru, por exemplo, concentra urnas destinadas ao próprio município e a Anamã, Beruri e Caapiranga. Em regiões mais distantes, como São Gabriel da Cachoeira, os equipamentos são enviados antecipadamente para que a preparação seja feita no próprio município.
Estiagem antecipou operação
Neste ano, o planejamento começou mais cedo devido à preocupação com os efeitos da estiagem nos rios. Ainda em agosto, cerca de 4 mil urnas foram encaminhadas aos polos do interior, acompanhadas de baterias e outros equipamentos.
Em setembro, começou o transporte das urnas preparadas até os municípios onde serão utilizadas. Em uma das operações, cerca de 100 equipamentos saíram do Porto de São Raimundo, em Manaus, com destino a Anori e Tapauá.
A estratégia combina transporte fluvial, aéreo e rodoviário, conforme as condições de cada região.
O desafio aumenta nas áreas rurais
Chegar à sede do município não significa concluir o trajeto. Em muitas localidades, as urnas ainda precisam percorrer longas distâncias até as comunidades.
Nessa etapa, são usados barcos, voadeiras, bajaras, veículos adaptados e, em alguns casos, triciclos, quadriciclos e veículos de tração animal. Há locais em que a última parte do percurso precisa ser feita a pé.
“Dos municípios para as zonas rurais, a dificuldade aumenta muito”, explicou Sussuarana. Segundo ele, diferentes meios de transporte podem ser necessários até que a urna chegue à comunidade.
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Urnas reservas também fazem parte da operação
O planejamento também prevê equipamentos para substituição em caso de falhas. No interior, o TRE-AM mantém uma reserva de aproximadamente 5% das urnas. Nas seções rurais, a estratégia de contingência é integral, segundo o órgão.
A medida busca evitar que problemas técnicos interrompam a votação, especialmente em comunidades onde uma equipe pode levar horas para chegar.
Assim, antes de chegar ao eleitor, cada urna percorre uma rota planejada de acordo com as condições geográficas e de acesso do Amazonas para estar no local de votação na manhã de 4 de outubro.





