Após derrotas nas eleições, Alfredo Nascimento defende mudanças no PL Amazonas

O presidente do Partido Liberal (PL) no Amazonas, Alfredo Nascimento, defendeu uma reavaliação das estratégias eleitorais da sigla após as derrotas nas disputas pelo Governo do Estado e pelo Senado nas eleições de 2026. Em entrevista ao programa Onda News, nesta terça-feira (27/10), ele afirmou que o partido precisa analisar os motivos dos resultados, rever decisões e reorganizar sua atuação política para os próximos anos.
Ao comentar o desempenho da candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo, e do deputado federal Alberto Neto, que disputou uma vaga no Senado, Alfredo ressaltou que as derrotas precisam ser discutidas internamente, sem que a responsabilidade seja atribuída exclusivamente a terceiros.
“Por que nós fomos para o segundo turno aqui no Estado e não ganhamos a eleição? Por que o Alberto, candidato ao Senado, não ganhou a eleição? Então, isso tudo tem que ser conversado, tem que ser avaliado”, declarou.
O dirigente também reconheceu que a própria trajetória política inclui derrotas e afirmou que os resultados eleitorais exigem uma análise das decisões tomadas durante a campanha.
“A culpa, a gente sempre quer culpar os outros. A culpa foi minha de ter perdido. O Alberto perdeu, a culpa foi dele. A Maria perdeu, a culpa foi… Não adianta você querer colocar a culpa dos outros”, afirmou.
Divisões na direita e estratégias eleitorais
Durante a entrevista, Alfredo também analisou o comportamento do eleitorado de direita no Amazonas. Segundo ele, esse segmento não é formado exclusivamente por eleitores bolsonaristas, o que exige estratégias capazes de dialogar com diferentes grupos.
“Os votos da direita aqui são… 30% deles são bolsonaristas, são pessoas que seguem. Mas tem uma outra linha da direita que vai ou não vai”, disse.
Para o presidente estadual do PL, a maneira como as candidaturas são conduzidas e as decisões tomadas ao longo da campanha podem influenciar os resultados eleitorais. Ele também questionou movimentos políticos individuais e afirmou que determinadas iniciativas precisam ser avaliadas para evitar prejuízos aos objetivos coletivos do partido.
Alfredo revelou que conversou por telefone com Alberto Neto sobre o assunto. Sem detalhar todas as circunstâncias da conversa, afirmou que considera inadequadas determinadas movimentações neste momento, especialmente diante das articulações políticas nacionais envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
“Você não pode fazer isso. Primeiro que atrapalha a eleição do Flávio, no momento é impróprio. E qualquer um que seja candidato tem que construir isso”, declarou.
Presidente diz que conduzirá reorganização do partido
Alfredo afirmou que pretende liderar o processo de reorganização do PL no Amazonas e ressaltou que as decisões sobre futuras candidaturas deverão seguir os procedimentos internos da sigla.
“Eu vou conduzir esse processo, eu sou o presidente do partido. E com mandato agora”, afirmou.
Ele negou ter preferência por nomes específicos e explicou que a escolha de candidatos deverá considerar as regras partidárias, pesquisas e avaliações do cenário político. Sobre a disputa ao Senado, ponderou que ainda é cedo para antecipar definições.
“Eu não tenho predileção, nem preferência por ninguém. O partido tem regras, a gente avalia, faz pesquisa, monta o Senado, está muito longe”, disse.
O dirigente também defendeu cautela nas articulações e afirmou que o partido precisa aguardar os próximos desdobramentos políticos antes de tomar decisões definitivas.
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Alfredo fala sobre vitória de Omar Aziz e cenário nacional
Na avaliação de Alfredo, a vitória de Omar Aziz na disputa pelo Governo do Amazonas também precisa ser analisada pelo PL. Ele afirmou que o adversário conseguiu reunir apoios políticos durante a campanha e apontou a necessidade de compreender como essa articulação contribuiu para o resultado.
“O Omar foi esquecido, ficou no céu de brigadeiro. Quando chegou a hora, ele foi competente de juntar muita gente, tal, e de ganhar a eleição. Então, a gente tem que esperar isso tudo”, declarou.
Ao ampliar a análise para o cenário nacional, Alfredo manifestou preocupação com os rumos políticos e econômicos do Brasil após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele questionou decisões envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro e levantou questionamentos sobre a democracia no país.
“Estou muito preocupado com o país. A nossa economia está numa situação extremamente difícil”, afirmou.
Alfredo também criticou o que considera contradições no cenário político nacional e disse que pretende continuar atuando em defesa das posições do PL.
Retorno à política e adaptação às redes sociais
Com 43 anos de trajetória política no Amazonas, Alfredo também falou sobre o desafio de retomar a atuação eleitoral após ficar oito anos afastado desse processo. Segundo ele, as mudanças na comunicação política exigiram uma adaptação, principalmente em relação ao uso das redes sociais.
“Eu fui compreender bem no final. Gente, eu tenho que usar a rede social. Eu não usava”, relatou.
O dirigente afirmou que precisou resgatar sua trajetória como prefeito de Manaus para fortalecer sua presença eleitoral na capital. Também destacou as dificuldades de disputar eleições majoritárias no interior do estado, onde, segundo ele, a estrutura necessária para uma campanha representa um desafio adicional.





