Dino autoriza terceiro inquérito contra Lulinha por tráfico de influência

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova investigação, solicitada pela Polícia Federal (PF), apura suspeitas de tráfico de influência.
Dino também determinou a abertura de uma investigação para apurar possíveis vazamentos ilegais de informações sigilosas. A medida atende a um pedido apresentado pela defesa de Lulinha.
Outros dois inquéritos seguem no STF
As duas investigações anteriores, que também tratam de suspeitas de tráfico de influência, continuam sob relatoria do ministro André Mendonça e tramitam sob sigilo no Supremo.
Segundo fontes ouvidas reservadamente pela Folha de S.Paulo, a terceira apuração também envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A suspeita é de que ela tenha atuado em favor de uma empresa junto a um órgão público.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que ele não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade. Os advogados também disseram ter confiança na condução do processo pelo ministro Flávio Dino e solicitaram providências contra vazamentos que classificaram como reiterados, seletivos e criminosos.
“Não podemos permitir que interesses não republicanos e externos contaminem procedimentos investigativos ou o próprio processo eleitoral. Em uma democracia de dimensões continentais, investigações devem ser imparciais e eleições devem ser decididas com votos”, declararam os advogados Guilherme Suguimori Santos e Marco Aurélio de Carvalho.
Leia mais
Empresa citada em inquérito sobre Lulinha acumula R$ 85,7 milhões em contratos
PF pede abertura de novo inquérito contra filho de Lula
Lula diz que filho não terá tratamento diferenciado
Na semana passada, o presidente Lula afirmou que o filho deverá responder às investigações como qualquer outro cidadão.
“Quando eu vejo essas barbaridades faladas contra o meu filho, se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Eu jamais pedirei para um delegado ou pra um juiz não fazer as coisas corretas”, disse.
“Ele vai ter que provar que é inocente como eu provei, vai ter que provar. E se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra”, completou.
Primeira investigação envolve cannabis medicinal
O primeiro inquérito, autorizado por André Mendonça, investiga uma suposta atuação de Lulinha junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência para obter aval à comercialização de cannabis medicinal.
A PF aponta que Lulinha atua no setor ao lado de Roberta Luchsinger e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O pedido de investigação menciona contatos entre os investigados e servidores públicos, incluindo integrantes do gabinete presidencial.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que nunca firmou contrato com a World Cannabis, empresa ligada ao Careca do INSS, e afirmou que nunca fez repasse de recursos públicos a ela.
Segundo inquérito apura possível atuação na Dataprev
O segundo inquérito busca esclarecer se Lulinha teria atuado junto à Dataprev, empresa vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, para favorecer um empresário e viabilizar contratos.
O relatório da Polícia Federal aponta que o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT, teria custeado ao menos uma viagem de Lulinha em troca de supostos benefícios junto ao governo.
A defesa de Lulinha classificou a investigação como uma “pesca probatória” e afirmou que ele não atuou em favor de qualquer pessoa ou empresa na administração federal.
Por sua vez, a Dataprev informou que não possui contratos com a 3STRUCTURE IT e destacou que pauta sua atuação pela transparência e pela colaboração com os órgãos de fiscalização, controle e investigação.
A assessoria da 3STRUCTURE IT afirmou que todos os contratos firmados com órgãos federais ocorreram com transparência e após processos licitatórios, como determina a legislação aplicável às contratações públicas. A empresa também declarou que atua no mercado desde 2019, possui certificações internacionais na área de proteção de dados e que suas contratações pelo poder público ocorreram de forma regular, tendo sido, inclusive, objeto de auditorias do Tribunal de Contas da União.





