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Voar de graça nos aviões da FAB: como funciona, quanto tempo demora e o relato de quem já embarcou

Confira o passo a passo do programa e o relato de quem já viajou três vezes pelo CAN
30/03/26 às 14:12h
Voar de graça nos aviões da FAB: como funciona, quanto tempo demora e o relato de quem já embarcou

(Foto: Divulgação / FAB)

Enquanto passagens aéreas atingem valores cada vez mais salgados e viajar de avião vira artigo de luxo para boa parte dos brasileiros, existe um serviço público que oferece transporte aéreo gratuito, mas pouca gente conhece. O Correio Aéreo Nacional (CAN), criado pela Força Aérea Brasileira em 1931, permite que civis embarquem em aeronaves militares sem pagar um centavo, aproveitando assentos ociosos em missões oficiais.

A jornalista e servidora pública Mozayra Seabra já utilizou o serviço em três ocasiões diferentes, e em duas delas como civil. À Rede Onda Digital, ela contou os detalhes de como funciona o programa, os desafios e as vantagens de voar pela FAB.

“Conheci o CAN através do meu pai, militar aposentado da Marinha. Viajei na época como dependente de militar. Mas em outras ocasiões, também já viajei como civil”, conta Mozayra, que já embarcou para Belém, Rio de Janeiro e Fortaleza pelo programa.

Mozayra Seabra, jornalista e servidora pública (Foto: Arquivo pessoal)

Como participar

O primeiro passo para quem deseja usar o serviço é localizar o posto do CAN mais próximo. As bases aéreas com atendimento estão espalhadas por todas as regiões do país:

Norte: Manaus (AM), Belém (PA), Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO)
Centro-Oeste: Brasília (DF) e Campo Grande (MS)
Nordeste: Fortaleza (CE), Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA)
Sudeste: Pirassununga (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP)
Sul: Canoas (RS), Florianópolis (SC) e Santa Maria (RS)

O cadastro é feito presencialmente na base aérea. A documentação exigida é simples: RG, CPF e comprovante de residência. Menores de idade devem ser inscritos por um responsável legal. Não há custo algum, o serviço é totalmente gratuito.

(Foto: Divulgação / FAB)

Tempo de espera

A principal dificuldade do programa é a imprevisibilidade. O passageiro não escolhe a data da viagem. Ele informa uma janela de disponibilidade, geralmente de 7 a 10 dias, e aguarda o contato da FAB caso surja uma vaga.

“Nas primeiras viagens, há anos atrás, foi mais burocrático, sim. No quesito espera”, lembra Mozayra.

“Funcionava mais ou menos assim: íamos até o aeroporto, perguntávamos se haveria voo para determinado destino, nos inscrevíamos para o voo, que não tinha data definida, pouquíssimas informações, ficávamos aguardando o nosso nome sair numa relação que eles fixavam em um mural, com o número de vagas disponíveis para o voo, geralmente na madrugada. Tínhamos que ficar indo até lá para conferir.”

O cenário mudou nos últimos anos. “No último voo que fiz, foi mais prático. Me inscrevi para o voo, eles informaram que a inscrição seria válida por 10 dias, caso não saísse o voo, teríamos que renovar a inscrição. Quando saía o voo, eles enviavam no meu e-mail a confirmação, com a data, horário e o local onde deveria comparecer.”

(Foto: Divulgação / FAB)

A confirmação, no entanto, costuma chegar em cima da hora. “Enviaram a confirmação com um dia de antecedência. Portanto, é importante ter a mala já pré-arrumada”, orienta a jornalista.


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Experiência a bordo

Viajar em aeronave militar não é como embarcar numa companhia aérea comercial. O conforto varia conforme o tipo de avião utilizado pela FAB.

“A melhor experiência foi no Boeing ‘Hércules’, um avião maior, maior conforto, como em um voo comercial”, relata Mozayra. “Também já viajei em avião de ‘missão’, que é bem menor, sentávamos frente a frente, mais desconfortável.”

Boeing Hércules (Foto: Divulgação / FAB)

Prioridade de embarque

Um ponto essencial que o passageiro precisa saber é que na hierarquia de embarque os civis estão no fim da fila. A ordem de prioridade nos voos do CAN é:

  1. Emergência médica
  2. Militares a serviço na missão
  3. Comandantes das Forças Armadas
  4. Luto
  5. Demais militares
  6. Familiares de militares
  7. Civis inscritos no programa
Voo do CAN em emergência médica (Foto: Divulgação / FAB)

O desafio da volta

Mozayra conta que, em sua experiência mais recente, conseguiu a viagem de ida pela FAB, mas precisou voltar de avião comercial.

“Fiz a viagem de ida com a FAB, mas voltei de voo comercial, porque não tinha tanta disponibilidade”, relata.

Esse é um dos principais alertas para quem pretende utilizar o serviço: a passagem de volta não é garantida. O passageiro que viaja para outra cidade precisa fazer um novo cadastro na base local e aguardar nova vaga, o que pode levar dias ou semanas.

“Eu super recomendo o serviço. Sempre questionei o porquê de não ser tão divulgado, quantas pessoas e famílias seriam beneficiadas com ele.”, concluiu Mozayra.

(Foto: Divulgação / FAB)

O futuro do programa

Em maio de 2025, foi apresentada ao Ministério da Defesa uma proposta de modernização do CAN, prevendo a criação de um sistema digital integrado ao portal Gov.br. A iniciativa permitiria cadastro online, envio de documentos, critérios objetivos de prioridade e notificações por aplicativo e SMS. A proposta está em tramitação e pode ampliar o acesso ao serviço nos próximos anos.

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