Vereadores reagem à decisão que barra obras da BR-319: “ilhados por uma novela sem fim”

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A decisão da Justiça Federal de suspender os processos de licitação para obras no “trecho do meio” da BR-319 provocou reação na Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta terça-feira (28).
Durante sessão, os vereadores Rodrigo Guedes (Republicanos) e Professor Samuel (PSD) criticaram a medida e apontaram que o impasse mantém o Amazonas isolado do restante do país.
Os parlamentares argumentam que a rodovia, que liga Manaus a Porto Velho, existe há mais de 50 anos e precisa de recuperação, não de construção. Para eles, a suspensão reforça entraves históricos que dificultam o desenvolvimento econômico e logístico da região.
Nas falas, os vereadores defenderam que é possível conciliar pavimentação com preservação ambiental. Segundo eles, impedir a obra sob o argumento de risco de desmatamento seria admitir incapacidade do Estado em fiscalizar e proteger a floresta, visão considerada equivocada.
“Nós ficamos aqui ilhados por uma novela sem fim em que grupos insistem em não permitir que o Amazonas também tenha o desenvolvimento, o desenvolvimento, inclusive, sustentável. Nós não podermos asfaltar uma estrada que já existe, como já foi dito aqui, por dezenas de vereadores, dezenas de políticos, pavimentar uma estrada que já existe há décadas, porque aí ela geraria desmatamento, é simplesmente assumir que o país não tem competência para administrar uma estrada”, criticou Guedes.
Também houve críticas a grupos que, na avaliação dos parlamentares, atuam para barrar o avanço da rodovia, para manter o estado em desvantagem econômica. Eles ressaltaram que o Amazonas é um dos estados mais preservados do país, mas enfrenta dificuldades de integração e infraestrutura.
“É um negócio muito complicado você ter uma estrada que existe há 50 anos. E há 50 anos que ela foi construída, ela não era inviável. Ela não tinha problema ambiental, ela não tinha nada. Então, ela foi construída, foi autorizada. Ela existe. Ela não é algo a ser criado, é algo resistente. O que se precisa, na verdade, é a recuperação… Nós não temos problema de preservação. Nós temos problema de integração com o resto do país, com os outros estados. Não tem problema de preservação, o estado mais preservado do Brasil se chama Amazonas”, defendeu Professor Samuel.
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Suspensão
Uma decisão liminar da Justiça Federal suspendeu, por 70 dias, os editais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para obras no “trecho do meio” da BR-319. A medida atende a uma ação civil pública a pedido do Observatório do Clima e determina a paralisação dos certames até nova análise judicial.
Apesar do novo entrave, vereadores afirmaram que a mobilização política deve continuar para tentar reverter a decisão e garantir o avanço das obras, consideradas estratégicas para a geração de emprego, renda e integração nacional.





