BR-319: “Chega de gente de fora decidindo por nós”, diz vereador na CMM

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O vereador João Paulo Janjão (Agir) fez críticas ao Observatório do Clima durante discurso na Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta segunda-feira (27) após a entidade ingressar na Justiça contra obras de pavimentação da BR-319.
“Muito se fala sobre a preservação da floresta amazônica, mas quem preserva a floresta amazônica não é o governo federal, não são as ONGs, quem preserva a floresta amazônica é o nosso povo, são os indígenas, são os ribeirinhos, eles são os guardiões da floresta amazônica, eles que mantêm a floresta amazônica em pé”, disse durante discurso na CMM.
Segundo o parlamentar, a ação civil pública que pede a suspensão de trechos da obra em áreas de alta sensibilidade ambiental ignora a realidade da população local e prejudica diretamente milhares de amazonenses.
Janjão afirmou que o debate sobre preservação ambiental não pode desconsiderar as dificuldades enfrentadas por quem vive no interior do estado, citando problemas de acesso, saúde e logística. “Não se pode penalizar o povo que mais preserva a floresta amazônica”, declarou ainda.
O vereador também criticou o que chamou de interferência externa no debate sobre a Amazônia. “Chega de quem é de fora falando sobre nós e decidindo o nosso futuro”, acrescentou.
Durante o discurso, ele relatou uma viagem ao interior do Amazonas que durou cerca de 16 horas, destacando que, com a rodovia em melhores condições, o trajeto poderia ser reduzido significativamente.
Janjão também defendeu uma mobilização política em Brasília para destravar a obra, classificada por ele como essencial para o desenvolvimento e a qualidade de vida de mais de 250 mil pessoas na região.
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“Sensibilidade ecológica”
A ação foi protocolada pelo Observatório do Clima na última sexta-feira (24) na Justiça Federal do Amazonas.
O principal motivo é o pedido de anulação de editais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que preveem a pavimentação de 339,4 km da BR-319.
Segundo a entidade, o órgão classificou a obra como “manutenção” para dispensar o licenciamento ambiental, o que, na avaliação do Observatório, é inconstitucional e viola normas ambientais.
A organização argumenta que a região é de alta sensibilidade ecológica e que a obra pode aumentar o desmatamento, além de exigir estudos de impacto ambiental, obrigatórios em projetos de grande impacto.





