Veja o que muda para o Brasil com o acordo UE-Mercosul em vigor

Foto: RICARDO STUCKERT / PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a valer de forma provisória nesta sexta-feira (1º) e já deve trazer impactos diretos e indiretos para o Brasil, desde preços no supermercado até oportunidades de exportação.
O que muda na prática
O acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando cerca de 700 milhões de consumidores. Na prática, isso significa menos tarifas (impostos) para a circulação de produtos entre os dois blocos.
Logo de início, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa zerada. Do outro lado, cerca de 91% dos produtos europeus importados pelo Brasil também terão redução de impostos ao longo do tempo.
Impacto no bolso do brasileiro
Para o consumidor, a mudança mais perceptível deve ser a queda gradual de preços de produtos importados. Entre os itens que podem ficar mais baratos estão:
- Vinhos
- Azeites
- Queijos e outros laticínios
- Frutas de clima temperado
- Medicamentos
- Veículos
Além disso, o acordo pode facilitar a chegada de novas marcas internacionais ao país, ampliando a oferta de produtos.
Especialistas apontam que o impacto nos preços não será imediato nem uniforme, já que fatores como o câmbio ainda influenciam os valores. Mesmo assim, há expectativa de redução indireta de custos, principalmente porque indústrias brasileiras poderão importar máquinas e insumos mais baratos.
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Ganhos para exportações brasileiras
O acordo também abre mais espaço para produtos brasileiros no mercado europeu. Entre os principais beneficiados estão:
- Agronegócio (carne, frutas, açúcar)
- Café solúvel
- Óleos vegetais
- Calçados
Alguns desses produtos terão acesso facilitado, enquanto outros, como carne e açúcar, entram com limites de exportação (cotas), mas ainda com taxas reduzidas.
Efeitos na economia
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o acordo pode gerar crescimento econômico ao longo dos anos. A projeção é de:
- Aumento acumulado de 0,46% no PIB até 2040
- Crescimento de 1,49% nos investimentos
- Expansão das exportações em até US$ 11,6 bilhões
A tendência é que as importações cresçam primeiro, com a entrada de produtos europeus mais baratos, enquanto as exportações brasileiras ganham força de forma gradual.
Apesar do cenário positivo, o acordo também traz desafios: Setores industriais brasileiros podem enfrentar maior concorrência europeia, o acordo prevê exigências ambientais rigorosas e há salvaguardas que permitem à Europa suspender benefícios, especialmente no setor agrícola;
Além disso, como o acordo ainda é provisório, regras podem ser ajustadas ao longo do tempo, o que gera incertezas no curto prazo.





