Terapia inovadora muda cenário da PIF e aumenta chances de cura em gatos

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Durante anos, o diagnóstico de peritonite infecciosa felina (PIF), foi praticamente uma sentença de morte para gatos. Considerada uma das doenças mais temidas da medicina veterinária felina, a enfermidade deixava tutores e profissionais com poucas alternativas além de cuidados paliativos.
Esse cenário começou a mudar com o surgimento de antivirais específicos, como o GS-441524, medicamento que apresentou altas taxas de sucesso no tratamento. A clínica Metro Veterinary Specialists estuda o tratamento com GS-441524 que dura 84 dias e pode ser feito por via oral ou por injeções diárias, o que exige disciplina e acompanhamento rigoroso. Apesar do desafio, muitos tutores optaram pela terapia.
A PIF é causada por uma mutação do coronavírus felino e pode se manifestar de duas formas principais. A forma seca costuma provocar febre persistente, perda de peso, letargia e alterações oculares ou neurológicas. Já a forma úmida é caracterizada pelo acúmulo de líquido no abdômen ou no tórax, levando à barriga distendida e dificuldades respiratórias. Em alguns casos, a doença pode evoluir com comprometimento do sistema nervoso central e dos olhos.
Com o início do tratamento antiviral, muitos gatos apresentam melhora clínica em poucos dias. Após a conclusão do protocolo de 84 dias, os pacientes entram em remissão e seguem monitorados por mais três meses antes de serem considerados livres da doença.
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Além do GS-441524, outro antiviral vem ganhando destaque. Estudo recente conduzido por pesquisadores australianos apontou resultados positivos com o uso do molnupiravir, medicamento inicialmente desenvolvido para o tratamento da Covid-19 em humanos e que passou a ser avaliado para uso veterinário contra a PIF. A pesquisa indicou taxas de remissão comparáveis e, em alguns casos, superiores às terapias já conhecidas, desde que o protocolo seja corretamente conduzido por médico-veterinário.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro, noticiou a chegada desses tratamentos ao Brasil, o que representa um avanço significativo, mas exige responsabilidade. O órgão reforça que apenas o médico-veterinário está habilitado para diagnosticar a PIF, solicitar exames como o PCR para detecção do coronavírus felino, prescrever o protocolo adequado e acompanhar a evolução clínica do animal.
Com os avanços da medicina veterinária, a PIF deixa de ser vista apenas como um diagnóstico devastador e passa a representar, cada vez mais, uma condição tratável quando identificada precocemente e acompanhada por profissionais habilitados.





