“STF vive o pior momento da história”, dispara Alessandro Vieira em sabatina de Messias

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Durante a sabatina de Jorge Messias no Senado, nesta quarta-feira (29), o senador Alessandro Vieira fez um dos discursos mais contundentes da sessão e afirmou que o Supremo Tribunal Federal atravessa “o pior momento de sua história”. Messias, atual ministro da AGU, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma vaga na Corte.
“É o momento de mais baixa credibilidade da Suprema Corte. E isso é consequência direta de atos praticados por ministros”, declarou.
Alessandro Vieira afirmou ainda que integrantes do STF teriam atuando nos bastidores contra a indicação de Jorge Messias.
“Há ministros hoje na Suprema Corte que trabalham contra a indicação de Vossa Excelência, abertamente, que cabalam votos aqui no Salão Azul contra a sua indicação”, disse.
O senador criticou a falta de mecanismos internos de controle no Supremo e afirmou que o Senado não teve “coragem” para enfrentar possíveis irregularidades envolvendo ministros da Corte.
“Hoje o STF não tem corregedoria, não tem ouvidoria e não se submete ao CNJ. E este Senado, até a presente data, não reúne envergadura moral para processar crimes de responsabilidade”, afirmou.
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No discurso, Vieira também citou suspeitas envolvendo ministros e mencionou “caronas em jatinhos”, “padrão de vida multimilionário” e relações com investigados pela Justiça.
Apesar das críticas ao STF, o senador anunciou voto favorável à indicação de Jorge Messias e afirmou que o advogado-geral da União preenchia os requisitos constitucionais para ocupar a vaga.
“O senhor vai fazer a diferença naquele tribunal ou será apenas mais um seguindo o roteiro da manada?”, questionou Alessandro Vieira ao final da fala.
Posição
Vieira mantém uma relação marcada por críticas frequentes ao Supremo Tribunal Federal e defesa de mudanças na atuação da Corte.
Nos últimos anos, ele passou a cobrar mais transparência, limites de atuação e mecanismos de controle interno no STF.
O senador também ganhou destaque após relatar a CPI do Crime Organizado no Senado. Em seu parecer, pediu o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. O relatório acabou rejeitado pela comissão.
Apesar das críticas, o parlamentar costuma afirmar que suas posições não são ideológicas e que defende uma análise “técnica e constitucional” das indicações ao Supremo.





