Inseto da Amazônia, maruim se espalha e assusta moradores em SC; entenda riscos da picada

Foto: Dive/Divulgação
O maruim (Culicoides paraensis), inseto bastante comum na região Norte do Brasil, virou assunto nacional após uma infestação que assustou moradores em cidades de Santa Catarina. Pequeno, mas extremamente incômodo, o mosquito tem causado transtornos, com relatos de dificuldade até para sair de casa.
A infestação tem afetado principalmente cidades como Ilhota, onde moradores relatam forte incômodo causado pelas picadas, com coceira intensa e dificuldade para permanecer ao ar livre. A presença do inseto tem levado parte da população a mudar hábitos, como manter as casas fechadas e usar roupas mais cobertas, mesmo em dias quentes.
Quase imperceptível a olho nu, o maruim é menor que o pernilongo comum. De acordo com o diretor do Zoo Tropical Manaus, o biólogo Nonato Amaral, apenas a fêmea realiza a picada, pois necessita de sangue para se alimentar. “A picada costuma causar coceira intensa e irritação maior que a do pernilongo comum e pode transmitir alguns vírus, como o da febre do Oropouche”, explica.

O inseto se desenvolve principalmente em ambientes úmidos e ricos em matéria orgânica em decomposição, como lama, margens de rios, manguezais, esterco e restos de vegetação. “O maruim não se desenvolve em água limpa parada, como em caixas ou pneus”, destaca o especialista.
Segundo Amaral, fatores ambientais ajudam a explicar a expansão do inseto para outras regiões do país. “Mudanças climáticas, aumento de temperatura e umidade, decorrentes de períodos de chuvas intensas, aliados às alterações ambientais, favorecem a reprodução, o que explica a infestação recente fora da Amazônia, como em Santa Catarina”, afirma.
O biólogo também alerta para o chamado “transporte passivo” como um dos motivos da disseminação. “Ovos e larvas podem ser transportados em plantas, solo e materiais orgânicos”, pontua.
Febre do Oropouche
Além do incômodo, o maruim preocupa por ser vetor da Febre do Oropouche, doença que provoca febre alta súbita, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações. “Geralmente não é uma doença fatal, mas pode causar surtos, principalmente em áreas urbanas onde o vetor está presente”, explica Amaral.
“A febre do Oropouche é considerada o principal risco associado ao maruim. É causada pelo vírus Oropouche orthobunyavirus, transmitido principalmente por insetos do gênero Culicoides paraensis. Ocorre com mais frequência na Região Norte, especialmente na Amazônia, mas estudos recentes indicam registros em outras regiões”, detalha.
Na região amazônica, especialmente no Amazonas, a doença já é conhecida e monitorada. “Historicamente, o estado registra surtos frequentes, principalmente no interior e em áreas periurbanas de Manaus, geralmente associados à falta de manejo ambiental adequado”, ressalta o biólogo.
Como se proteger
Para conter a proliferação, as recomendações vão além das medidas comuns contra outros mosquitos. “Evitar o acúmulo de matéria orgânica úmida, melhorar a drenagem de terrenos, limpar valas e áreas alagadas e realizar o manejo adequado do lixo orgânico”, orienta.
Como forma de proteção individual, Amaral recomenda o uso de repelentes à base de icaridina ou DEET, roupas de manga longa e instalação de telas de malha fina. “Também é importante evitar áreas úmidas ao amanhecer e entardecer, além do uso de ventiladores, já que o maruim tem voo fraco”, conclui.





