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“Já estava pensando em como tirar a minha vida”: mãe de Benício relata luta contra depressão

Pais do menino de 6 anos, que morreu por superdosagem de adrenalina, falam sobre importância do acompanhamento psiquiátrico
15/04/26 às 13:50h
“Já estava pensando em como tirar a minha vida”: mãe de Benício relata luta contra depressão

(Foto: Rede Onda Digital)

Os pais do Benício, de 6 anos, que morreu em novembro de 2025 em Manaus após uma superdosagem de adrenalina durante um procedimento médico, abriram o coração sobre o impacto da perda na saúde mental. Em entrevista ao programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital, nesta quarta-feira (15), Joyce Xavier Carvalho e Bruno Mello de Freitas contaram como estão se cuidando para não sucumbir à dor de perder um filho único.

Joyce, mãe de Benício, revelou que chegou a ter pensamentos suicidas e que precisou de intervenção psiquiátrica urgente. “Eu fui encaminhada para o psiquiatra, estou tomando antidepressivo e fazendo terapia com o psicólogo especialista em luto. Porque se não for assim, se eu não cuidar da minha saúde mental, não tem como. Eu já estava entrando numa depressão profunda”, disse.

Eu já estava pensando em como eu ia tirar a minha vida, porque é uma dor imensurável. Perder um filho, meu único filho, ele era a minha vida. Então assim, eu cheguei no fundo do poço, no fundo do poço”.

Joyce explicou que, quando procurou o psiquiatra, a medicação demorou um pouco para fazer efeito, e ela já estava declinando para uma depressão severa. “Mas graças a Deus o remédio começou a fazer efeito, a terapia também, eu intensifiquei a terapia e aquilo foi me ajudando.”

“Eu acho super fundamental, é muito importante ter esse acompanhamento psiquiatra e com o psicólogo. O Bruno também faz, ele não precisou de medicação, ele só precisou de terapia. E a gente segue fazendo sim, porque isso é importantíssimo na nossa situação e em qualquer situação hoje.”


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Sala de aula como distração

Bruno, pai de Benício e professor, contou como o trabalho tem servido como um alívio momentâneo, mas sem apagar a saudade.

“O luto que a gente passa é um mix de emoções. Essa questão de eu estar em sala de aula distrai um pouco. É como se eu me desligasse a um certo momento naquele período, no meu trabalho também”, afirmou.

Ele disse que voltou ao trabalho após apenas dez dias de licença, mas que a memória do filho está sempre presente. “Nesses entra e sai da aula, não tem como o Benício não vir na memória. A saudade é constante e todo dia a gente tem uma dor diferente, tem uma lembrança diferente dele.”

“A gente nunca pensa em perder a vida. Mas em certos momentos a gente tem esse pensamento a partir da partida do filho. Mas não é isso que Deus quer. A gente tem plena convicção que, apesar do Benício furar a fila da ordem natural das coisas, a gente consegue carregar esse fardo. A gente tem plena esperança que a justiça será feita”, disse, referindo-se ao erro médico que vitimou o menino.

O caso de Benício, que morreu em novembro de 2025 após receber uma dose excessiva de adrenalina em um procedimento hospitalar em Manaus, segue sob investigação. Os pais seguem em tratamento psicológico e psiquiátrico, e fazem um apelo para que outras pessoas em situação de luto também busquem ajuda profissional.

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