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Janela partidária: futuro do deputado federal mais votado do país em 2022 ainda segue indefinido

Futuro partidário do deputado federal Amom Mandel segue em segredo, mas se ficar no Cidadania terá de repetir a votação recorde de 2022 para conquistar o segundo mandato
25/03/26 às 07:43h
Janela partidária: futuro do deputado federal mais votado do país em 2022 ainda segue indefinido

Amom lança edital de emendas e anuncia “Ratômetro” (Foto: Gerson Severo Dantas)

Faltando dez dias para o fechamento da janela partidária, o destino do deputado federal mais votado proporcionalmente do país na última eleição geral ainda é incerto. Amom Mandel vive o dilema de permanecer no Cidadania e ser obrigado a repetir o excepcional desempenho de 2022 para conquistar um segundo mandato, o que é considerado improvável pelos especialistas em face de outros possíveis “campeões” de votos terem entrado no processo eleitoral deste ano. A segunda opção é migrar para outro partido, mas neste momento as boas “chapas” já estão formadas.

Diante de um quadro eleitoral que sinaliza para votações expressivas de candidatos como o vereador Sargento Salazar (PL) e Fernanda Aryel (Avante), Amom Mandel começou a ser especulado em outro partido desde o ano passado, uma vez que o Cidadania trabalhou pouco a possibilidade de atrair nomes de peso para o partido e assim formar uma chapa forte que garantisse a reeleição de Amom.

Neste cenário, o deputado terá de dividir o eleitorado que amealhou em 2022 com Salazar e Aryel, o que lhe deixaria com votos insuficientes para voltar a Brasília. Ficar no Cidadania é considerado pelos analistas políticos um “suicídio eleitoral”.

Republicanos e MDB foram destinos especulados pelos analistas como destino para ele, pois seus presidentes operaram fortemente para formar nominatas com candidatos competitivos. O Republicanos, presidido pelo deputado federal Silas Câmara, segue como opção, mas sem grandes atrativos. O MDB fechou as portas após filiar nesta janela dois deputados federais, Saullo Vianna (ex-União Brasil) e Adail Pinheiro (ex-Republicanos), além  da ativista Vanda Witoto (ex-Rede-PSOL).

O PSD foi apontado como um eventual destino, mas lá ele teria outra missão: ser candidato a vice do pré-candidato Omar Aziz e ajudá-lo a reduzir a rejeição registrada pelo senador junto ao eleitorado do Amazonas. A nominata para deputado federal já está fechada com os atuais deputados Átila Lins e Sidney Leite, ambos em busca de uma reeleição difícilima e, portanto, não gostaria de ter um competidor de mesmo nível  na nominata.

O PL igualmente tem chapa formada, privilegiando o nome de Salazar e o do atual presidente do diretório estadual, Alfredo Nascimento, cujo plano principal é recuperar o mandato na Câmara Federal e também teria dificuldade ao colocar na nominata alguém que terá mais votos do que ele.

O Avante e a Federação União Progressista também são considerados destinos improváveis, pois Amom teve ao longo de seus mandatos posturas bastante críticas sobre as gestões do governador Wilson Lima, presidente do UP, e do prefeito David Almeida, presidente do Avante. Além disso, ambos têm projetos bem definidos: reeleger Fausto Júnior (UP) e levar Fernanda Aryel para Brasília.

Siglas de esquerda, como as federações que reúnem PT, PCdoB e PV ou PSOL-Rede, também são destinos improváveis pelas críticas que ele faz e a postura independente tomada ao longo do mandato em relação ao governo Lula.

Com 288.555 votos, Amom recebeu 14,5% dos votos na eleição de 2022 no Amazonas. O desempenho impressionante foi o melhor do país naquela eleição, tendo superado, por exemplo, a maior estrela da ala conservadora do parlamento brasileiro, o mineiro Nikolas Ferreira (PL/MG).

Em 2022, o então vereador de Belo Horizonte recebeu 1.492.047 votos, o que representou 13,34% do total de votos válidos em Minas Gerais.


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Possibilidades abertas na mesa

Para este ano, a projeção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de que o quociente eleitoral, número mínimo de votos para eleger um deputado federal, no Amazonas, oscile entre 250 mil e 260 mil, um quantitativo que os especialistas entendem que Amom não conseguirá atingir sozinho.

Como o jovem parlamentar não está sozinho neste quebra-cabeças a poucos dias do final da janela partidária, estão em curso articulações para selar, Silas Câmara e Pauderney Avelino, que estava no exercício do mandato até o início deste mês em Brasília, façam algum tipo de aproximação, seja unindo esforços no Republicanos ou no Cidadania.

Silas tentou formar a chapa mais poderosa deste ano e reuniria ele próprio, Amom Mandel, o ex-prefeito Arthur Neto, o ex-superintendente da Suframa Alfredo Menezes e a cunhã poranga do Garantido, Isabelle Nogueira. Arthur até se filiou ao Republicanos, mas surpreendeu neste mês ao ir para o MDB. Alfredo Menezes está praticamente fechado com a Federação União Progressista (UP), onde teve boas conversas com Fausto Júnior, mas ainda pode ir ao Avante, onde também teve boas conversas com David Almeida. Isabelle não fala sobre o assunto.

Pauderney foi especulado na superchapa do MDB, teve o nome anunciado no convite do evento de filiação, mas não apareceu no local e segue com o futuro indefinido até o momento, embora seja filiado ao União Brasil, onde tem divergências com Wilson Lima. A saída dele para outro partido é considerada certa.

Portanto, Amom, Silas e Pauderney podem formar um núcleo novo e garantir assim uma chapa competitiva e em condições de recolocar na Câmara Federal ao menos dois deles.

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