Descarte irregular de lixo agrava crise ambiental em Manaus e exige ações mais rígidas

(Fotos: Divulgação/Semulsp)
O descarte incorreto de lixo segue como um dos principais desafios ambientais em Manaus, impactando diretamente a saúde pública, a infraestrutura urbana e os ecossistemas da região. Mesmo com coleta regular em diversos bairros, toneladas de resíduos ainda são descartadas diariamente em ruas, terrenos baldios e igarapés, formando as chamadas “lixeiras viciadas”.
Dados da Prefeitura indicam que mais de 100 toneladas de lixo são enviadas diariamente ao aterro sanitário, reflexo não apenas do crescimento urbano, mas também de hábitos inadequados da população. Em muitos casos, áreas já limpas voltam a acumular resíduos em poucas horas, evidenciando a dificuldade de mudança de comportamento.
Os impactos ambientais são amplos. O descarte irregular contribui para a poluição da água, do solo e do ar, além de provocar o assoreamento de igarapés, agravando alagações e comprometendo o sistema de drenagem da cidade. Também favorece a proliferação de doenças, ao criar ambientes propícios para vetores como o mosquito Aedes aegypti.
Além dos danos ambientais, há prejuízos econômicos e sociais. A limpeza constante desses pontos gera custos elevados ao poder público, sem definitivo, já que o problema se repete continuamente.
Para enfrentar esse cenário, especialistas e gestores apontam a necessidade de fortalecer políticas públicas integradas. Entre as principais medidas estão a ampliação da educação ambiental, fiscalização mais rigorosa com aplicação de multas, incentivo à coleta seletiva e reciclagem, além da criação de pontos adequados para descarte de resíduos volumosos.
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A Prefeitura de Manaus tem intensificado ações com operações de limpeza e campanhas educativas, envolvendo diferentes órgãos municipais. No entanto, autoridades reforçam que o enfrentamento do problema depende também da participação popular.
Comportamento
O problema das chamadas “lixeiras viciadas” em Manaus vai além da falta de políticas públicas e envolve diretamente o comportamento da população, segundo a engenheira florestal e perita criminal Laura Bernardes.
Em entrevista à Onda Digital, ela explica que, embora a capital conte com serviços de coleta, inclusive para resíduos volumosos, o descarte irregular ainda é recorrente, até mesmo em áreas estruturadas da cidade.
“Não se pode atribuir o problema exclusivamente à ausência de serviço público. Há um componente importante relacionado ao comportamento da população”, afirma.
De acordo com a especialista, é comum encontrar lixo descartado ao lado de lixeiras que são regularmente atendidas, além de casos de despejo irregular de entulho por veículos em terrenos baldios. “Muitas vezes, a escolha pelo descarte irregular está associada à busca por soluções mais rápidas e convenientes, sem considerar os impactos coletivos”, afirma.
Os efeitos vão além da questão urbana e atingem diretamente a saúde pública. O acúmulo de resíduos favorece a proliferação de vetores como o Aedes aegypti, responsável por doenças como dengue, zika e chikungunya. “Também há aumento de ratos, que podem transmitir leptospirose, além de outros riscos sanitários”, destaca.
Outro impacto grave é a contaminação de igarapés e rios, agravando problemas de abastecimento e aumentando riscos durante o período de cheia. Para Laura Bernardes, não há solução única para o problema.
“A educação ambiental é fundamental para mudar comportamentos no longo prazo, mas a fiscalização e a aplicação de multas também são essenciais. O que funciona, de fato, é a combinação dessas estratégias: educar para prevenir e conscientizar, ao mesmo tempo em que se fiscaliza e se pune quando necessário. É um trabalho conjunto, contínuo, que exige organização e atuação integrada do poder público e da população”, conclui.





