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Em dia de David pré-candidato, CMM inverte pauta e evita colocar Erga Omnes em debate

Vereadores da base aliada de David Almeida inverteram a ordem dos trabalhos para participar de coletiva do prefeito e evitar debate aberto sobre a Erga Omenes no plenário
23/02/26 às 18:11h
Em dia de David pré-candidato, CMM inverte pauta e evita colocar Erga Omnes em debate

Reprodução/ Câmara Municipal de Manaus

A primeira sessão da Câmara Municipal de Manaus (CMM) após a deflagração da operação Erga Omnes, da Polícia Civil do Amazonas, foi marcada por uma articulação da bancada governista para reduzir o impacto político da prisão de pessoas ligadas à gestão do prefeito David Almeida (Avante), que lançou a pré-candidatura dele ao governo do estado no fim da manhã desta segunda-feira (23/2).

Para reduzir o impacto político da operação policial, a base aliada conseguiu aprovar uma inversão de pauta, processo legislativo que altera a ordem dos trabalhos. Normalmente, o rito é pequeno expediente, quando os vereadores fazem comunicações rápidas, grande expediente, com os discursos mais importantes dos vereadores e das lideranças da Casa, e por fim, Ordem do Dia, quando são colocados em votação os projetos da pauta.

Com a inversão, foram votados em bloco 20 propostas legislativas e um veto do prefeito a um projeto aprovado na Casa. Na sequência, houve a segunda articulação dos governistas, com 15 deles se inscrevendo para falar no pequeno expediente. Com isso, eles retiram o poder de fala da oposição, que reagiu denunciando a manobra.

“Eles nunca falam, nunca se inscrevem para o pequeno expediente, mas como pretendíamos discutir a operação Erga Omnes, todos resolveram falar no pequeno expediente”, constatou o vereador Zé Ricardo (PT), lembrando que a manobra permitiria que todos pudessem participar do evento em que David Almeida lançou a candidatura dele.

“Eles fizeram isso para não votar meu requerimento pedindo a convocação de David Almeida para prestar esclarecimentos nessa Casa sobre a Erga Omnes”, completou Rodrigo Guedes (PP).

Com o fim do expediente, os vereadores da base foram embora e só ficaram no plenário vereadores de partidos independentes, mas que votam com David Almeida, e os oposicionistas. A sessão foi encerrada pouco antes do meio dia.


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Erga Omnes nas sombras

Enquanto travavam uma briga no plenário por conta da inversão de pauta dos trabalhos, nos bastidores os vereadores da base e os da oposição trataram da operação Erga Omnes, que prendeu a ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, Anabela Freitas, de maneiras distintas.

Zé Ricardo, Rodrigo Guedes e Capitão Carpê cobraram transparência e apoiaram a realização da operação, querendo explicações para o envolvimento de pessoas próximas do núcleo decisório da Prefeitura de Manaus.

O líder do prefeito, vereador Eduardo Alfaia (Avante), o vice-líder, Luís Mitoso (MDB) e Gilmar Nascimento (Avante) foram em outra direção. Eles defenderam a legitimidade da polícia realizar a operação, mas pediram que não houvesse politização do tema.

Alfaia argumentou que não é advogado de Anabela Freitas, mas observou que ela merece o benefício da dúvida e não acredita no envolvimento dela com o tráfico de drogas.

Gilmar Nascimento citou artigos da constituição para lembrar que, mesmo que Anabela esteja envolvida com o crime, esse fato não implica envolver o nome de David Almeida.

“O crime não transcende a figura do criminoso, nem para parentes, imagine de um servidor para um gestor!”, analisou Gilmar, que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

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