Adjuto Afonso conduz com ‘mão de ferro’ o processo de eleição suplementar na Aleam

(Foto: Ney Xavier)
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Adjuto Afonso (União Brasil), costura com mão de ferro e luvas de pelica o processo de construção da lei que vai regulamentar a eleição suplementar na Casa para a escolha do governador tampão que concluirá o mandato de Wilson Lima (União Brasil).
Com a habilidade de quem é o decano da Casa, com seis mandatos seguidos, com o primeiro conquistado na eleição geral de 1998, Adjuto é aliado de primeira hora do governador interino, Roberto Cidade (União Brasil), e nos bastidores é visto como o líder que opera para construir as melhores condições para Cidade vencer a eleição.
A primeira ação neste sentido foi dar posse à primeira suplente do União Brasil, Professora Jacqueline, no dia seguinte ao início da interinidade. Com ela na Casa, Cidade não precisa renunciar para votar na eleição suplementar.
A manobra foi denunciada, em silêncio, pelos deputados ligados ao grupo do senador Omar Aziz, que costura para lançar um candidato alternativo a Cidade. Questões jurídicas poderão ser apresentadas porque a interinidade de Cidade é de 30 dias, ao passo que o regimento da Aleam prevê convocação do suplente quando a licença do titular é superior a 120 dias.
Outra ação de Adjuto que tenta pôr panos quentes na relação entre os grupos foi passar a responsabilidade da regulamentação da eleição para a equipe técnica da Procuradoria Geral da Casa, o que no final mantém nas mãos dele a condução do processo, posto que os procuradores são funcionários e estão sob o poder de influência do presidente. “O correto seria formar uma comissão, um grupo de trabalho formado pelos deputados proporcionalmente ao tamanho das bancadas”, diz um deputado, pedindo sigilo da fonte para não prejudicar as conversas.
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O que está em jogo
Dentre os pontos que devem ser estabelecidos na regulamentação estão:
- Prazo para inscrições de candidatos ou candidatas,
- Voto aberto ou voto secreto;
- Tempo para campanha;
- Quem pode ser candidato.
Enquanto a regulamentação não sai, cresce nos bastidores a articulação para formação de candidaturas que levam em conta a possibilidade do governador tampão ter o direito de disputar a reeleição em outubro. Cidade tem conversado fortemente com deputados que votaram seguidamente nele para presidente da Casa, posto que alcançou ainda no primeiro mandato e para o qual foi reconduzido outras duas vezes, um caso inédito, mas estão na esfera de influência do grupo liderado por Omar Aziz.
Essas conversas envolvem, principalmente, deputados do Partido Liberal (Delegado Péricles, Débora Menezes e Cabo Maciel) e o deputado Abdalla Fraxe, que é do Avante, partido liderado pelo ex-prefeito de Manaus David Almeida. Cidade só não conversou com Daniel Almeida, irmão de David, com quem teve atritos pesados e quase foram às vias de fato.
No grupo de Omar Aziz, a orientação é manter o silêncio máximo para não dar espaço para contragolpes de Cidade. David, por sua vez, opera no modo neutro, posto que os candidatos favoritos não agregam para a pré-candidatura dele a governador.
O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) estuda retirar a pré-candidatura dele, que seria na prática uma anti-candidatura para denunciar o processo deflagrado pela renúncia dupla de Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza, no último sábado (4). Pelo PCdoB, o ex-deputado estadual Eron Bezerra segue de pé a pré-candidatura, mas está com o objetivo de dar visibilidade ao nome dele, candidato a deputado estadual em outubro.





