Integrantes do Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmaram, nesta segunda-feira (11/11), já terem identificado as delegacias onde possivelmente estão lotados os policiais suspeitos de participarem do assassinato do empresário Antonio Vinicius Gritzbach no aeroporto de Guarulhos. A informação foi divulgada pela CNN Brasil.
Os agentes estariam lotados em duas delegacias do bairro do Tatuapé, na zona Leste de São Paulo, e em duas delegacias especializadas: o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Gritzbach teria apontado em seu acordo de delação premiada que essas delegacias teriam atuado em algumas situações em benefício da facção criminosa PCC.
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O Ministério Público de São Paulo iniciou uma força-tarefa com a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, a Corregedoria da Polícia e órgãos de inteligência para tentar identificar os suspeitos no aparato estatal não só do assassinato como também de envolvimento com o PCC.
O MP também pedirá, na manhã desta segunda-feira, a rescisão do acordo de colaboração premiada em razão da morte do empresário e a autorização judicial para que as provas que ele ofereceu possam ser utilizadas nas investigações.
Entenda o crime
Gritzbach voltava de Alagoas rumo a São Paulo e desembarcou no aeroporto de Guarulhos após voltar de uma viagem com a namorada e o motorista particular dele na tarde de sexta-feira (8). A segurança dele era feita por quatro policiais militares contratados pelo próprio empresário.
O transporte dele era feito por uma escolta de dois veículos. Um dos carros apresentou uma falha e foi deixado em um posto de combustível sem acessar a área de desembarque. A investigação irá apurar se houve mesmo falha mecânica ou se episódio pode estar relacionado com o crime.
Assim que deixou o saguão do aeroporto, o empresário foi assassinado por dois homens encapuzados com fuzis. Os atiradores entraram em um Gol preto e fugiram do local.
Gritzbach foi atingido por 10 tiros e morreu na hora. Os disparos acabaram atingindo outras pessoas, que não tinham ligação com o empresário, incluindo o motorista de aplicativo Celso Araújo de Novais, que acabou falecendo na noite de sábado (9).
O veículo que teria sido no crime foi abandonado nas imediações do aeroporto ainda na sexta-feira (8). Dentro dele, havia munição de fuzil e um colete à prova de balas.
Os policiais militares que faziam a escolta de Gritzbach prestaram depoimento à polícia. Eles tiveram os celulares apreendidos e foram afastados de suas funções.
O empresário era ameaçado pela facção criminosa PCC e já tinha escapado de um atentado no Natal de 2023. O Ministério Público acusou Gritzbach e o policial penal David Moreira da Silva, 38, pelos assassinatos de dois membros do PCC. O empresário também teria embolsado cerca de R$ 40 milhões da facção.
A polícia investiga se a vítima foi assassinada a mando do PCC. Mas também não descarta outras possibilidades, como queima de arquivo, já que ele havia assinado acordo de delação premiada e tinha vários agentes públicos como inimigos, a quem disse ter pago altos valores em propinas.
*Com informações de CNN Brasil