Natural de Uruaçu-GO, mas radicado em Gurupi-TO desde criança, Gutierres Torquato (PDT) é bacharel em fisioterapia e direito, ambos pela Universidade de Gurupi – UNIRG. Já exerceu cargos de Secretário Municipal de Saúde da cidade, Chefe de Gabinete do prefeito, Secretário Municipal de Administração, Secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e, também, Presidente do IPASGU. Foi candidato a deputado estadual em 2018 e candidato a prefeito de Gurupi em 2020. Em 2022, foi eleito deputado estadual com 9.865 votos, pelo PDT.
Em entrevista exclusiva à Rede Onda Digital, o parlamentar explana suas ações e direcionamentos na Assembleia legislativa, como também expõe suas convicções sobre a sucessão de 2024 em Gurupi, seu colégio eleitoral.
Vamos começar falando sobre o pioneirismo do projeto Instituto Gratidão, que o Sr. montou para atender as pessoas mais necessitadas…
Primeiramente, o Instituto é um desejo muito forte que eu sempre tive de retribuir à sociedade, todas as oportunidades que tenho recebido. Eu entendo que gratidão é um sentimento que te abre as portas, jamais te fecha, te dá respeito, é cumplicidade e parceria. Eu venho dos movimentos sociais em Gurupi, desde a época do Instituto Juarez Moreira. Atendíamos uma quantidade de pessoas considerável, começando em Gurupi e depois se expandiu para a região circunvizinha.
Sempre tive vontade de criar um Instituto que pudesse realmente oportunizar às pessoas aquilo que elas almejam, que pudesse atender em várias áreas, em todas as faixas etárias da vida. Veio esse desejo, logo no início do mandato e, hoje, prestamos um trabalho importante e recebemos, inclusive, uma moção de aplausos pela câmara de vereadores da cidade, com menos de seis meses de atuação. Então, isso mostra que o trabalho está sendo realizado com muita seriedade, entendendo realmente qual é o desejo das pessoas têm, fazendo um trabalho como casamento comunitário que, em todo esse tempo de Estado, não se viu uma estrutura com organização, que valoriza o cuidado no momento tão especial na vida de cada um.
Logo após, lançamos um programa de saúde, que é o bem mais importante que o ser humano tem. Entramos com o programa “Enxerga Tocantins”, que inicialmente era para atender quinhentas pessoas, mas a demanda era muito grande e acabamos atendendo cerca de oitocentas. Desse montante, quase quinhentas são casos cirúrgicos. Mas as outras conseguimos atender de forma imediata. Às vezes, a pessoa não tem a condição necessária para realizar uma consulta ou um exame e passa a vida inteira sem diagnosticar o problema. Eles já estão sendo encaminhados para os procedimentos cirúrgicos e isso foi algo que impactou muito a vida das pessoas, porque nós sabemos que o SUS ainda tem burocracias para alguns tipos de procedimento, principalmente cirurgias oftalmológicas. Assim, o instituto vem como uma espécie de auxílio e a ideia é expandir esses serviços numa segunda etapa do “Enxerga Tocantins”.
Lançamos também, o consórcio intermunicipal, uma vez que precisamos zerar o número de pacientes que aguardam cirurgias eletivas. Temos hospitais que não conseguem atingir a sua capacidade de cirurgias. Então, como representantes do povo, temos que nos unir e conseguir organizar esses procedimentos para colocar essas pessoas na condição de fazer a cirurgia. Precisamos fazer com que o sistema de saúde ganhe celeridade o resultado realmente apareça.
Por fim, lançamos também um projeto “Vivendo e aprendendo com esporte” que atingirá as crianças de 6 a 13 anos de idade, com intuito de formar atletas e cidadãos. Por aí se vê o poder transformador as boas práticas políticas na vida das pessoas. Eu não me permito, depois de lutar tanto para alcançar o mandato, chegar aqui e não poder mudar o futuro das pessoas.
Durante algum tempo o sul do Tocantins ficou desprestigiado em relação a representatividade política, uma vez que ficou um certo tempo sem deputados estaduais. Esse hiato atrapalhou muito? O Sr. acha que, nesse momento, aquela região consegue ter as suas demandas defendidas na assembleia legislativa?
A cidade de Gurupi é extremamente importante para o desenvolvimento econômico do Estado e, praticamente, é o referencial das dezessete cidades do sul. Em certo momento, já tivemos cinco deputados estaduais representando a região, em outros tempos nenhum, mas hoje contamos com dois. Já tivemos líderes muito importantes da região que defenderam várias pautas importantes e que tiveram contribuições relevantes. Não se justifica uma região que compreende cerca de 190 mil eleitores não ter representatividade na Assembleia Legislativa.
No meu entendimento o pessoal da região é muito bairrista e sempre votou em candidatos da região. Mas temos que fazer uma autocrítica no sentido de que, muitas vezes, não tivemos a percepção e a sabedoria para construir nossas eleições. Os eleitores escolhem os seus representantes de forma livre e isso faz com que o processo político exija essa busca de votos em outras cidades próximas. Mas posso dizer que, apesar de haver candidatos de outras regiões que tentam amealhar votos em Gurupi, os eleitores da cidade sempre votaram dos candidatos da cidade e da região. Tanto eu quanto o outro deputado que representa o sul, o Eduardo Fortes, tivemos a percepção de sair da cidade e procurar votos nas regiões circunvizinhas, com o intuito de criar espaços e representar a região como um todo.
Hoje essa realidade mudou e temos até um vice-governador que é da região. Ele também representa muito bem aquelas cidades e luta pelo seu desenvolvimento. É uma realidade, portanto, que foi mudada drasticamente a partir de 2022. Caso pudéssemos mudar, ainda mais, essa realidade, elegendo outros representantes, isso contribuiria muito com o debate e com o crescimento da nossa região.
Em relação ao PDT, qual é a situação atual da sigla no estado do Tocantins?
O nosso partido é liderado pelo vice-governador Laurez Moreira, que tem uma veia política muito atuante e conseguiu gerar uma base forte, como aconteceu, inclusive, com o PSB anos atrás, que chegou a ter vinte prefeitos no Estado, atingido um crescimento além das expectativas. Da mesma maneira, o PDT hoje é um dos partidos mais cobiçados do Estado, porque as pessoas sabem o quanto o Laurez é sério na condução da sigla e que pode trazer de resultados positivos aos filiados. Isso traz segurança para os líderes, mas o histórico do presidente traz credibilidade e garante que as pessoas tenham condições de ir para disputa das eleições. Não tenho dúvidas, portanto, que faremos um número expressivo de vereadores e prefeitos e, posteriormente, também faremos muitos deputados por essa sigla.
O partido tem crescido muito em âmbito nacional, e hoje sou Presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto). O Estado do Tocantins é essencialmente agrícola e 1/3 da nossa produção, por exemplo, está na região sul. Temos mais de 10 milhões de bovinos e uma área territorial muito produtiva. Essa mesma discussão está sendo feita pelo partido em âmbito nacional, quer seja pelo Carlos Lupi, quer que seja pelo Aluízio Mercadante, porque é importante que a inserção desse tema nas discussões partidárias. Não tenho dúvidas que, em breve espaço de tempo, o PDT será uma das maiores siglas do Tocantins, juntamente com o Republicanos, partido do governador Wanderlei Barbosa.
Percebe-se pelo seu discurso que o senhor tem laços intrínsecos com a cidade de Gurupi. Nessas circunstâncias, o senhor é pré-candidato a prefeito da cidade?
Não, temos que respeitar o desejo do eleitor. Em 2020 fui candidato tentando suceder o prefeito Laurez Moreira. O eleitor disse nas urnas que não e preferiu a atual prefeita, Josi Nunes. É meu dever respeitar essa condição, porque agora esse mesmo eleitor me elegeu deputado. Ele quer resultados aqui no parlamento e não enquanto prefeito. Eu não posso colocar o meu interesse acima dos interesses da coletividade. Tudo tem o seu momento e acho que chegará o meu, novamente, de disputar a Prefeitura de Gurupi, mas não agora. Isso é natural. Hoje minha obrigação é defender os interesses da região sul e da cidade de Gurupi, defendendo todas aquelas pautas que forem afetas a eles, como também, beneficiar os tocantinenses de uma forma geral, no mandato de deputado estadual.
Eu lutei muito para chegar à condição de deputado e eu não posso deixar o mandato órfão, para satisfazer egos pessoais. Tenho estratégias para defender aqui no parlamento, como também, resultados para apresentar. Não tenho dúvidas que o meu nome cresceu na cidade depois que me elegi deputado estadual, mas isso não me envaidece a ponto de querer atropelar o processo, pois temos projetos maiores. Tenho que aproveitar a oportunidade que os eleitores me concederam, elaborando bons projetos e lutando pelos interesses dos tocantinenses. Logicamente, eu vou participar intensivamente do processo, mas não na condição de candidato. Esse capital político importante, naturalmente, vai influenciar o processo eleitoral. Isso por si só já me satisfaz, pois é um reconhecimento da população.
No seu mandato, há uma ligação especifica com alguns segmentos da sociedade? Qual é o foco da sua legislatura?
Penso que as minhas pautas e as minhas bandeiras são aquelas de interesse da coletividade como um todo. Luto pelo por aqueles que têm menos oportunidades, como os moto-taxistas ou pequenos produtores, por exemplo. A discussão que eu faço é muito ampla, porque eu preciso discutir saúde, educação, regularização fundiária, segurança e geração de emprego e renda para os menos favorecidos. Não quero pautas segmentadas e únicas e não quero focar apenas no agronegócio, em que pese esse tema ter relevância neste momento. Estou discutindo, por exemplo, as questões da Juventude porque eu entendo a importância que eles têm na sociedade de uma maneira geral e, por isso, não posso me limitar a um tema apenas.
Existem várias outras pautas importantes no Estado, entre as quais as econômicas e sociais e tenho defendido aquilo que é transformador na vida das pessoas, aquilo que vai impactar diretamente na vida delas. A redução do ICMS, por exemplo, no comércio do gado já trouxe inúmeros ganhos para esse setor e aqueceu o mercado. Isso gerou novas oportunidades e melhorou a vida das pessoas, porque somos um Estado eminentemente agropecuário.
Luto pelo desenvolvimento econômico, pelos projetos sociais, pela segurança, pela saúde, etc. Tenho filtro, pode ter certeza, para entender o que realmente eu preciso focar e defender no plenário. Penso que o mais importante do meu mandato é a efetividade das ações, porque muitas vezes, alguns parlamentares apresentam projetos e não os monitora até o final para ver o resultado acontecer. Minha determinação, enquanto parlamentar estadual, é apresentar projetos viáveis e acompanhar até o final. Me preocupa, por exemplo, o endividamento dos agricultores e, por isso, propus que as instituições financeiras estabelecidas do Tocantins sejam convocadas para que nós possamos elaborar um plano de renegociação das dívidas dos Produtores Rurais. Cerca de 80% deles tem financiamento junto aos bancos e cerca de 40% estão inadimplentes, mas não por vontade própria, mas sim porque o sistema do agronegócio atualmente inviabiliza o sistema de produção. Não é possível que alguém que tenha comprado uma matriz há dois anos atrás por R$ 4.500,00, hoje tenha que vender essa mesma rês por R$ 2.000,00. É impossível que esse produtor consiga pagar essas dívidas e, nessas circunstâncias, é necessário haver entendimento com as instituições financeiras, na busca por uma solução. Esse tema já está tramitando perante a comissão parlamentar do agronegócio, da qual sou presidente.
Agradecemos sua entrevista a Rede Onda Digital, expondo um pouco de sua atuação parlamentar.
Serão sempre bem-vindos ao gabinete, que está sempre de portas abertas para a imprensa.