Após muitas especulações e ameaças, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (02/04) um pacote de tarifas sobre produtos importados, medida que, segundo o governo americano, vai promover a produção doméstica e corrigir práticas de comércios que Trump classifica como “desleais”.
De acordo com a tabela divulgada pelo governo norte-americano, o Brasil foi incluído no grupo que enfrentará uma tarifa de 10%, mesma alíquota aplicada a países como Reino Unido, Cingapura, Chile, Austrália e Turquia, enquanto países como o Vietnã enfrenta uma taxação de 48%.
Novas tarifas entram em vigor nesta semana
Durante coletiva de imprensa, Trump destacou que a primeira taxação incidirá sobre automóveis de países europeus e asiáticos, com uma tarifa de 25%, válida a partir desta quinta-feira (03/04). “A partir da meia-noite, vamos impor uma tarifa de 25% sobre todos os automóveis importados”, declarou o presidente.
Desde fevereiro, Trump vinha sinalizando a possibilidade de novas taxações sobre produtos estrangeiros, mas sem apresentar detalhes. Na última semana, reforçou que as tarifas atingiriam todos os países, embora houvesse margem para ajustes e negociações.
O pacote tarifário inclui produtos da União Europeia, Austrália, China e Japão, além de outros parceiros comerciais. O presidente norte-americano também criticou a importação de carne australiana, mas não mencionou o Brasil diretamente.
Impacto para o Brasil e reações do governo
No Brasil, a decisão gerou preocupação, especialmente nos setores de aço e alumínio, que já enfrentam tarifas impostas pelos EUA desde março. O etanol brasileiro também foi citado como exemplo de comércio desigual: enquanto os EUA cobram uma taxa de 2,5% sobre o etanol importado, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o produto norte-americano.
Diante da nova taxação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a medida e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Caso a contestação não tenha sucesso, o governo avalia adotar tarifas sobre produtos norte-americanos como resposta.
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No Congresso, parlamentares discutem medidas para endurecer a política comercial contra os EUA. Na terça-feira (1º), o Senado aprovou o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a retaliar barreiras comerciais impostas por outros países. O texto seguirá para a Câmara dos Deputados, onde deve ser analisado com prioridade.
A política tarifária adotada por Trump faz parte de sua plataforma econômica e tem sido chamada pelo presidente de “Dia da Libertação”, sob o argumento de que reduzirá a dependência dos EUA em relação a importações. A medida se baseia na aplicação de tarifas equivalentes às que os produtos americanos enfrentam em mercados estrangeiros, estratégia que pode ampliar tensões comerciais entre os países.
Confira a tabela completa

