Quem assume o Paraguai após renúncia do presidente? Entenda a sucessão

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5/11) sua renúncia em meio à crise política e financeira envolvendo o Ueno Bank. Com a saída, o vice-presidente Pedro Alliana é o primeiro na linha sucessória e poderá assumir a Presidência até o fim do mandato, em agosto de 2028.
A renúncia ocorre após o agravamento da situação do banco digital, submetido a um procedimento de resolução pelo Banco Central do Paraguai por problemas nos indicadores de solvência. A crise ganhou dimensão política porque Peña manteve participação no grupo empresarial ligado à instituição até março de 2025.
A oposição apresentou pedido de impeachment contra o presidente, e a pressão aumentou quando integrantes do próprio Partido Colorado passaram a apoiar a possibilidade de afastamento.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Também pediu desculpas à população por eventuais falhas de sua administração.
Em mensagem divulgada nas redes sociais nesta quinta-feira, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Também pediu desculpas à população por eventuais falhas de sua administração.
Enquanto o pedido de impeachment contra Santiago Peña avançava na Câmara, os deputados rejeitaram a acusação apresentada contra o vice-presidente Pedro Alliana. A decisão foi tomada também nesta quinta-feira (5), após a proposta não alcançar os dois terços dos votos exigidos pela Constituição paraguaia. Com isso, o pedido contra Alliana foi arquivado, e ele permanece na linha de sucessão para assumir a Presidência caso a saída de Peña seja confirmada.
Como funciona a sucessão presidencial no Paraguai?
Pela Constituição paraguaia, Pedro Alliana é o primeiro na linha de sucessão e poderá assumir a Presidência se a renúncia de Peña for formalmente aceita pelo Congresso Nacional. O procedimento está previsto nos artigos 202 e 234, que estabelecem as regras para a vacância dos cargos de presidente e vice-presidente.
O artigo 202 determina que cabe ao Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente e do vice-presidente. O artigo 234 estabelece que, em caso de vacância definitiva da Presidência, o vice-presidente eleito assume o cargo e permanece no comando do Executivo até o fim do período constitucional.
Não será necessária, portanto, nova eleição presidencial. Alliana, eleito na mesma chapa em 2023, poderá concluir o mandato, previsto para terminar em 15 de agosto de 2028.
A Constituição também define uma ordem de substituição caso o vice-presidente não possa assumir. Nesse cenário, a Presidência passa sucessivamente ao presidente do Senado, ao presidente da Câmara dos Deputados e ao presidente da Suprema Corte de Justiça.
Se Alliana assumir, a Vice-Presidência ficará vaga. Como a mudança ocorrerá nos dois últimos anos do mandato, caberá ao Congresso escolher, por maioria absoluta de seus integrantes, quem ocupará o posto até 2028.
Quem é Pedro Alliana?
Aos 52 anos, Pedro Alliana integra o Partido Colorado, uma das principais forças políticas do Paraguai. Natural de Pilar, capital do departamento de Ñeembucú, construiu sua trajetória com passagens pelo Executivo e pelo Legislativo.
Em 2006, disputou a prefeitura de Pilar, mas não venceu. Dois anos depois, foi eleito governador de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012.
Em 2013, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde permaneceu por dez anos e presidiu a Casa entre 2019 e 2022. Também comandou o Partido Colorado de 2015 a 2023.
Nas eleições de abril de 2023, integrou a chapa de Peña como candidato a vice-presidente. Os dois venceram e assumiram os cargos em 15 de agosto daquele ano.
Como vice-presidente, Alliana participou de agendas diplomáticas e de articulações políticas do governo. Em abril de 2026, confirmou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições previstas para 2028.





