“Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula na ONU

Nesta terça-feira (22/9), em seu discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a soberania dos países.
“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zona de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos”, disse.
O presidente também disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e completou: “Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”.
Referência a discurso de Rubio
A fala de Lula faz referência a um discurso recente de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, que voltou a chamar a América Latina de “quintal dos EUA”.
A declaração ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro teme uma possível interferência norte-americana nas eleições de outubro, com o objetivo de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
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Críticas à ONU
Lula também criticou a ONU, citando “crescentes desmandos das superpotências”. Ele declarou: “Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”.
Veja:
Presidente Lula discursa na 81º Assembleia Geral da ONU https://t.co/HdL8V3pO9k
— Lula (@LulaOficial) September 22, 2026
A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo das Nações Unidas e reúne representantes dos 193 Estados-membros. Durante o debate geral, chefes de Estado e de governo apresentam suas posições e prioridades diante dos principais temas internacionais. Por tradição, o Brasil abre os discursos do debate geral desde 1955.





