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Conhecido no Norte, maruim aterroriza moradores em SC; saiba o que é o mosquito e como se proteger

As recomendações vão além das medidas comuns contra outros mosquitos
14/04/26 às 18:49h
Conhecido no Norte, maruim aterroriza moradores em SC; saiba o que é o mosquito e como se proteger

Foto: Dive/Divulgação

O “maruim” (Culicoides paraensis), inseto bastante comum na região Norte do Brasil, virou assunto nacional após uma infestação que assustou moradores em cidades de Santa Catarina. Pequeno, mas extremamente incômodo, o mosquito tem causado transtornos, com relatos de dificuldade até para sair de casa.

A infestação de maruim tem afetado principalmente cidades catarinenses como Ilhota, onde moradores relatam forte incômodo causado pelas picadas, com coceira intensa e dificuldade para permanecer ao ar livre. A presença do inseto tem levado parte da população a mudar hábitos, como manter casas fechadas e usar roupas mais cobertas mesmo em dias quentes.

Quase imperceptível a olho nu, o maruim é menor que o pernilongo comum. De acordo com o Diretor do Zoo Tropical Manaus, o biólogo Nonato Amaral, apenas a fêmea realiza a picada, pois necessita de sangue para se alimentar. “A picada costuma causar coceira intensa e irritação maior que a do pernilongo comum e pode transmitir alguns vírus, como o da Febre do Oropouche.”, explica.
Foto: Reprodução/Instagram

O inseto se desenvolve principalmente em ambientes úmidos e ricos em matéria orgânica em decomposição, como lama, margens de rios, manguezais, esterco e restos de vegetação. “O maruim
não se desenvolve em água limpa parada de caixas ou pneus”, destaca o especialista.

Segundo Amaral, fatores ambientais ajudam a explicar a expansão do inseto para outras regiões do país. “Alguns fatores como a mudança climática, o aumento de temperatura e umidade
decorrentes de períodos de chuvas intensas aliadas as alterações ambientais, favorecem
a reprodução o que explica a infestação recente fora da Amazônia (ex: Santa Catarina)”, afirma.

O biólogo também alerta para o chamado “transporte passivo” como um dos motivos da disseminação. “Ovos e larvas podem ser transportados em plantas, solo e materiais orgânicos”, pontua.

Febre Oropouche

Além do incômodo, o maruim preocupa por ser vetor da Febre do Oropouche, doença viral que provoca febre alta súbita, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações. “Geralmente não é uma doença fatal, mas pode causar surtos, principalmente em áreas urbanas onde o vetor está presente”, explica Amaral.

“A Febre do Oropouche é considerada o principal risco oriundo do maruim é causada pelo vírus Oropouche orthobunyavirus, como mencionado, transmitido principalmente pelo maruim do gênero Culicoides paraenses, geralmente ocorre com mais frequência na Região Norte, especialmente na Amazônia, mas estudos recentes relatam que casos vêm sendo registrados em outras regiões”, detalhou.

Na região amazônica, especialmente no Amazonas, a doença já é conhecida e monitorada. “Historicamente, o estado registra surtos frequentes, principalmente no interior e em áreas periurbanas de Manaus, geralmente associados à falta de manejo ambiental adequado”, ressalta o biólogo.

Como se proteger

Para conter a proliferação, as recomendações vão além das medidas comuns contra outros mosquitos. “Evitar acúmulo de matéria orgânica úmida, melhorar drenagem de terrenos, limpeza de valas e áreas alagadas e o manejo adequado de lixo orgânico”, orienta.

Como forma de proteção individual, Amaral recomenda o uso de repelentes à base de icaridina ou DEET, roupas de manga longa e instalação de telas de malha fina. “Um meio de proteção para a população pode-se citar: uso de repelentes com Icaridina ou DEET, o uso de roupas de manga longa (principalmente ao amanhecer e entardecer), instalar telas de malha muito fina (mosquiteiro comum pode não segurar o maruim), evitar áreas úmidas ao entardecer e o uso de ventiladores (maruim tem voo fraco)”, conclui.

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